Veja o vídeo feito pelo coletivo carioca, Favela em Foco, composto por fotógrafos formados na Escola de Fotógrafos Populares da Maré, do projeto Imagens do Povo, um dos projetos gerenciados pelo Obversatório de Favelas(RJ). O vídeo mostra os preparativos para a remoção de famílias no Morro da Providencia, no Rio de Janeiro.
Pinheirinho: greve de fome em frente à Globo
Do Conversa Afiada – Paulo Henrique Amorim
O Conversa Afiada aceita sugestão do amigo navegante Leandro :
Paulo Henrique, bom dia! Estava vendo a sua publicação à respeito do Nahas e Teófilo e, nos comentários, surgiu este vídeo enviado pelo amigo navegante Carlos Senna que mostra um jovem que está fazendo greve de fome devido ao silêncio do PiG em relação ao massacre ocorrido em Pinheirinho. Se possível, dedique uma publicação a este jovem. É de extrema importância que movimentos assim sejam mostrados.
Grande abraço!
Leandro Scott
VEJA e Reinaldo Azevedo erram feio e Falha entrevista a verdadeira estudante da USP que discutiu com Andrea Matarazzo no MAC

Por Lino Bocchini – Do Desculpe a Nossa Falha
Estudante “colocada” na foto não mora no Crusp (outro erro do colunista) e, classificada de “burguesota” por Azevedo, é moradora de Guaianases.
A cena do secretário estadual de Cultura e pré-candidato a prefeito do PSDB Andrea Matarazzo com o dedo na cara de uma manifestante foi pras homes dos principais portais de notícias do país no sábado à tarde, logo após a inauguração parcial da nova sede do MAC, no prédio do antigo Detran, em São Paulo. No domingo, a foto de autoria de Paulo Liebert, reproduzida acima, estava na capa da edição impressa do Estadão. No mesmo dia, a revista Veja, através de seu colunista Reinaldo Azevedo, revelava a suposta identidade da manifestante: “Quem é aquela mulher (…) cordata, suave, pronta para o diálogo? (…) É Rafaela Martinelli, aluna da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da USP e moradora do Crusp. É publicidade que ela queria, não? Aqui está”. Acontece que a estudante em questão não é Rafaela. A revista Veja errou. Trata-se de Arielli Tavares Moreira, 22 anos, estudante do quinto ano do curso de letras da USP. E há mais incorreções. O colunista também chama os manifestantes de “burguesotes”. Arielli é de família classe média-baixa da pequena cidade de Tatuí. E Rafaela, exposta e atacada pela revista de maior circulação do Brasil sem sequer aparecer na foto, é moradora de Guaianases, zone leste paulistana –e não vive no Crusp, conforme disse Veja. Para completar, mais um erro: nem Rafaela nem Arielli são filiadas ao Partido dos Trabalhadores, acusação feita por Azevedo, Andrea Matarazzo e pelo vereador Floriano Pesaro. Pelo contrário, as meninas são críticas ao governo Dilma Roussef e ao PT. A seguir os principais trechos da conversa com Arielli (que está de fato na foto) e Rafaela (que Veja “colocou” na foto):
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Campus Party 2012 dobra velocidade ultrarrápida da conexão de internet
De Ana Ikeda oo UOL, em São Paulo
Barracas no acampamento da Campus Party 2011 realizada no Centro de Exposição Imigrantes
A edição 2012 da Campus Party, acampamento que reúne fãs de tecnologia em São Paulo, vai oferecer o dobro de velocidade de internet do que a do ano passado. Os 7 mil campuseiros (como são chamados os participantes do acampamento digital) terão 20 Gbps (Gigabits por segundo) de banda larga disponível — em 2011, a conexão ultrarrápida foi de 10 Gbps. As informações foram dadas em coletiva de imprensa realizada nesta terça-feira (31).
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The Guardian vê as informações sobre Pinheirinho através das Redes Sociais
Do Luis Nassif Online
A análise do The Guardian sobre o caso Pinheirinho
Relato do The Guardian sobre o massacre da Opus Dei no Pinheirinho
A luta contra o despejo do Brasil Pinheirinho pode ser uma inspiração
guardian.co.uk , Terça-feira 24 de janeiro de 2012 GMT 15,23
A fotografia se espalhou pelo mundo rapidamente: mostra os moradores do Pinheirinho, favela no estado de São Paulo, vestindo capacetes, escudos e barricadas para resistir a uma ordem de despejo. (…)
Pinheirinho foi ocupado por oito anos, sem nenhum esforço do governo para regularizar a área ou desenvolver uma infra-estrutura adequada. Lar de cerca de 6.000 pessoas, a terra pertence a um fraudador do mercado financeiro, preso em 2008. Estimulado pelo boom imobiliário do Brasil, a administração local tornou-se recentemente ativo na prossecução do despejo, com a cumplicidade de juízes que pareciam querer que isso acontecesse o mais rápido possível.
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Bolsa Familia é suspenso para os moradores despejados do Pinheirinho
Eduardo Guimaraes – do Blog da Cidadania
Passei o dia de ontem no Caic D. Pedro, em São José dos Campos – um centro esportivo transformado em depósito de gente. Meu trabalho – e das outras 91 pessoas (43 de São Paulo e o resto do interior) que integraram a força-tarefa do Condepe – foi o de ouvir e registrar, em formulário específico, denúncias de violência e/ou danos materiais.
Apesar do muito que tenho a relatar, antes de mais nada tenho que fazer uma denúncia urgente pois as necessidades daquelas famílias não podem esperar. Entrevistei muitas pessoas, ouvi histórias absurdamente dolorosas, denúncias que me fizeram a alma ferver, vi cenas que jamais tirarei da cabeça, mas o que me preocupa, agora, é outra coisa.
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Ato no Pinheirinho abre agenda dos movimentos sociais
Do site Vi o mundo
Rosane Bertotti: O protesto no Pinheirinho
Ato no Pinheirinho abrirá agenda de lutas após o FST 2012
Assembleia dos Movimentos Sociais, que reuniu 1,5 mil pessoas na Usina do Gasômetro, sábado, em Porto Alegre, aprovou realização de um ato público no terreno desocupado do Pinheirinho, em São José dos Campos (SP), no dia 2 de fevereiro às 9 horas. “Vamos fazer um grande ato na próxima quinta-feira (2) em repúdio a esse governo fascista de Geraldo Alckmin, que não respeita a democracia nem os movimentos sociais”, disse Rosane Bertotti, representante da CUT e coordenadora da assembleia.
Maurício Thuswohl, na Carta Maior
Porto Alegre – Uma das características mais marcantes do Fórum Social Temático 2012, encerrado domingo (29) em Porto Alegre, foi a disposição demonstrada por diversos setores dos movimentos sociais brasileiros para revitalizar suas mobilizações de rua e assumir nos próximos meses uma agenda de lutas que já começa logo após o Fórum. Maior exemplo dessa disposição foi a aprovação, feita durante a Assembleia dos Movimentos Sociais que reuniu 1,5 mil pessoas na Usina do Gasômetro, de um ato no terreno desocupado do Pinheirinho, em São José dos Campos (SP), para o dia 2 de fevereiro às 9 horas.
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Santiago e o corretor ortográfico da grande imprensa

Do cartunista Santiago, direto de sua página no Facebook
A parte boa de não estar na grande imprensa é poder criticá-la, coisa impensável para os comunicadores e palpiteiros dos grandes veículos. Sempre achei bizarro um profissional ser contratado para criticar todas as instituições do país, menos a instituição imprensa, esta, intocável nas suas mazelas.
Exemplos: a verdadeira caixa preta das concessões de rádio e TV, as nove famílias que comandam a informação no Brasil, a brutal prepotência de quem tem o privilégio de falar, sem direito de resposta da outra parte, o enorme domínio do anunciante que exerce, sim, censura nas redações.
Neste desenho falo de alguns dogmas que viram afirmação indiscutível, como o fato dos movimentos socais serem sempre tratados como organizações criminosas!!
Pinheirinho – O Domingo maior pergunta: quantas vidas vale, uma decisão da justiça?
Do site Vi o mundo: O fascismo social e o silêncio conivente da esquerda
Brasil: inimigo meu
por Túlio Muniz
Em Agosto de 2011, o Observatório da Imprensa publicou artigo de minha autoria, Por novos discursos midiáticos, no qual abordei o conceito de “fascismo social”, de Boaventura Santos, e adiantei o que chamo de Dispositivo Pós-Colonial, ou DPC.
Relembrando: o “fascismo social” é “um tipo de regime no qual predomina a lógica dos mercados financeiros em detrimento de grandes setores das populações, gradativamente distanciados e excluídos do campo de direitos sociais adquiridos nas últimas décadas. O risco, alerta Santos, é o da ingovernabilidade”.
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São Paulo como laboratório da direita
Foto: Bernardo Mendes Ribeiro/Facebook
A sucessão de atos de autoritarismo explícito e uso da força policial para resover questões sociais – a invasão da USP por tropas de choque (gerou imagens que lembram as prisões dos estudantes em Ibiúna, na época da ditadura militar), a truculência na cracolândia e agora o despejo em Pinheirinho – permite perceber que as forças políticas de direita, capitaneada pelo PSDB está usando São Paulo como laboratório de testes. Está esticando a corda para ver até onde a sociedade convive com o autoritarismo e o conservadorismo.
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O que houve em Pinheirinho?
Janio de Freitas – Folha de São Paulo
A ação realizada pelo governo paulista por intermédio de sua Polícia Militar em Pinheirinho, São José dos Campos, usou o nome técnico de “reintegração de posse”. Algum juiz chamaria, com base no direito que aprendeu, de reintegração de posse o que houve em Pinheirinho? Ou haveria como fazê-lo com base nos artigos e princípios reunidos pela Constituição?
O cerco à democracia
Do blog do Luis Nassif
Postado por Marco St.
O Cerco: A Democracia nas Malhas do Neoliberalismo
(legendado em português)
de Richard Brouillette
Canadá, 2005
Participação: Noam Chomsky, Ignacio Ramonet, Normand Baillargeon, Susan George, Omar Aktouf, Oncle Bernard, Michel Chossudovsky, François Denord, François Brune, Martin Masse, Jean-Luc Migué, Filip Palda and Donald J. Boudreaux
Sinopse:
Retrato da ideologia neoliberal por meio do pensamento de intelectuais renomados, com uma análise dos diversos mecanismos práticos dessa ideologia, como a desregulamentação, a redução do papel do Estado, a privatização e o controle da inflação em lugar da recessão.
A doutrina começa em 1947, com a fundação da Sociedade Mont Pèlerin, grupo de pensadores neoliberais financiados por empresas multinacionais. Desde o final da Guerra Fria, o índice de reformas neoliberais tem aumentado.
Em suas entrevistas, o filme busca resposta para a pergunta: por trás da cortina de fumaça ideológica e dos interesses de um mercado livre, para além da “mão invisível” do mercado, o que realmente está acontecendo?
Mais lenha na fogueira do debate sobre direito autoral e a “vida real”.
Cibercondição – de Hermano Vianna – O Globo 13/01/2012
O que considero mais interessante na história de “Ai se eu te pego” não é seu atual sucesso mundial, mas sim o processo de sua composição e divulgação, antes de chegar aos ouvidos de Michel Teló. Os detalhes podem parecer únicos, irrepetíveis, mas na verdade — depois de uma análise nem tão cuidadosa assim — revelam um padrão já dominante na indústria cultural pós-internet, bem popular no Brasil (talvez sejamos até a vanguarda nesse tipo de estratégia criativa-mercadológica). Peço desculpa se vou contar o que todo mundo já sabe. Considero de extrema importância encarar o que é mais óbvio com olhar mais curioso, capaz de nos fazer entender o mundo em que passamos a viver.
Um Prêmio Esso de Jornalismo para Adir Mera

Sim, um Prêmio Esso de Jornalismo para a foto da então militante de esquerda Dilma Rousseff, feita pelo fotojornalista Adir Mera, do então jornal Última Hora. Na época, essa foto já seria a foto do ano, desmascarando o regime militar diante do que acontecia nos porões da ditadura. Hoje, à distância do tempo, a foto se tornou épica. Merece mais do que um Prêmio Esso de Fotografia, merece o Grande Premio Esso de Jornalismo 2012, que deve ser entregue aos familiares de Adir Mera.
Foi graças ao trabalho de Pinheiro Junior e Adalberto Diniz que esta foto histórica teve seu autor identificado. Daqui, aplaudo vocês dois de pé.
Folha de SP abre vaga para pauteiro
A oferta não está na seção de classificados. Saiu meio escondida alí na coluna Ombudsman, assinada por Suzana Singer, quando, ao criticar a cobertura que o jornal fez do lançamento e repercussão do livro “Privataria Tucana”, sugere que a Folha deve ler mais (o livro claro) e se pautar mais, indo buscar no livro, novidades que o jornal ainda não publicou. “Separado o que for revelador no livro -se houver algo-, cabe à reportagem aprofundar as investigações, mergulhando nos papéis que acabaram esquecidos depois que a CPI do Banestado foi arquivada”. Se houver algo revelador? Como assim? E não é contraditório com …..”mergulhando nos papéis que acabaram esquecidos depois que a CPI do Banestado foi arquivada”?
O mérito maior da coluna, é que a Ombudsman tenta relembrar à Folha o feijão com arroz do jornalismo: pautar, apurar, investigar, editar, publicar. Simples assim, como nos bons tempos do Velho Oeste. E ainda dá uma forcinha elencando pontos a serem explorados.
Assim caros amigos da blogosfera (esse ambiente sujo onde impera a tese do PIG – que eu particularmente não curto, nem o nome e nem a idéia, mas isso fica para um outro post), está aberta a temporada de pautas para Folha. Sugiro inclusive que utilizemos a #vamosajudarafolhaasepautar e enviar pautas, muitas pautas.
Segue a primeira colaboração, do Blog Tijolaço, do Brizola Neto.
Uma pauta da Folha para a Folha
Do Tijolaço.com – Brizola Neto
Como hoje a ombusdman da Folha, ao elogiar a atitude do jornal – vários dias depois – de registrar o lançamento de “A Privataria Tucana” que teria, segundo ela, esgotado os seus “alegados 15 mil exemplares” (alegados, embora seja o primeiro colocado em vendas na própria Livraria da Folha) e diz que a redação está esperando “fatos novos” para publicar algo mais que o mero registro que fez, tomo a liberdade de dar uma “mãozinha” à reportagem da Folha, desinteressada e gratuitamente.
Que tal começarmos pelo fato de que a Folha publicou, no dia 30 de janeiro de 2001, um levantamento dos deputados e autoridades que tinham cheques sem fundos anotados no Cadastro de Emitentes de Cheques Sem Fundos, o CCF, do Banco Central, que é protegido por sigilo e inúmeras exigências de comprovação de identidade para ser consultado.
Para ajudar o pessoal da Folha, reproduzo, além do link, a imagem da matéria.
Para ajudar a Folha, que não deve ter conseguido um dos alegados 15 mil exemplares do livro do Amaury Ribeiro, informo que, por esta quebra de sigilo, Verônica Allende Serra está processada na 3ª Vara Criminal de São Paulo, por um suposto convênio (?) com o Banco do Brasil, que lhe teria transferido os dados de 60 milhões de correntistas. Já naquele dia o jornal tinha ciência e escreveu que essa divulgação era irregular. Ter o cadastro, também.
É informação, não sei se perceberam, das mais relevantes. Eu, por exemplo, como correntista do BB há quase 20 anos, gostaria de saber se consto lá. Você, leitor ou leitora, correntista de qualquer banco à ocasião, também, porque o CCF era operado pelo Banco do Brasil. Porque, mesmo correndo o processo em sigilo de justiça – para não ampliar o estrago da violação de sigilo bancário, parece-me que cada correntista à época tem o direito de ter acesso aos dados, para saber se sua intimidade foi violada e mover a competente ação de dano moral.
Nem foi informado aos leitores que a Decidir.com tinha como diretora a sra. Verônica Allende Serra, que tinha se tornado dirigente da empresa apenas 20 dias depois de ela ter sido criada, dia 8 de fevereiro de 2000, por um grande advogado na área de fusões e aquisições, o Dr. José Roberto de Camargo Opice, com o modestíssimo capital de R$ 100 e o nome de BelleVille. E que ela, cuja chegada coincidiu com a elevação do capital para R$ 5 milhões, se retira da empresa apenas um mês depois deste vazamento, não sem antes ter promovido a mudança de objeto da empresa para concessão de crédito a Oscip (ONGs)…
Muito menos foi publicado pela que a Decidir.Com virou Decidir Brasil Limitada, com capital de R$ 10 milhões, 99,99% pertencentes à Decidir.Com Iinternational Limited, a empresa onde, como mostram os documentos do livro de Amaury Ribeiro Júnior. Verônica Serra e sua xará Verônica Dantas Rodemburgo eram sócias.
O competente corpo de repórteres da Folha também será capaz de descobrir que a Decidir Brasil Limitada foi incorporada pela Equifax Brasil, controlada por uma grande multinacional, a Equifax, de Atlanta, Geórgia , Estados Unidos.
E que a Equifax passou a ser controlada pela Boavista Serviços SA, um empresa formada pela Associação Comercial de São Paulo – que indica seus conselheiros, entre eles o ex-secretário de José Serra e vice de Geraldo Alckmin, Guilherme Afif Domingues. Portanto, a cadeia, se me perdoam a expressão, de responsabilidades empresariais da Decidir.Com irradia-se aos proprietários das empresas que sucessivamente a absorveram.
A Boavista é operada pela TMG, um fundo de investimentos que, até 2009, tinha como controlador a homônima TMG Capital Partners.
Que fica…ah, sim, no Vanterpool Plaza, 2° andar, Wickhans Cay I, Road Town, na famosa Tortola, nas Ilhas Virgens Britânicas.
Se a redação da Folha, como disse à ombudsman, está trabalhando duro para obter fatos novos, fica aí a dica, que tomou só uma manhã. Ainda dá tempo de recuperar a falha – sem trocadilho – da matéria de 2001, telefonando para D. Verônica Serra e perguntado como a empresa conseguiu os dados do Cadastro de Emitentes de Cheques sem Fundo do Banco Central e qual foi o curto-circuito que os colocou na internet, expostos à curiosidade pública, inclusive dos repórteres da própria Folha.
PS. De novo, nada do que foi dito aqui é senão o que está escrito nos arquivos da Junta Comercial de São Paulo. É só se cadastrar em www.jucesponline.sp.gov.br e fazer a pesquisa.
Como comprar um chapéu Panamá, por Walter Firmo
Estive no Rio a convite da Aliança Francesa para participar do júri do Photo Web, um prêmio para fotógrafos brasileiros e franceses. No júri também estavam Walter Firmo e Tiago Santana. Tive a sorte e o privilégio de convover com os dois durante três dias, e na quarta-feira, dia 23 de novembro, o Firmo nos levou para almoçar no centro do Rio. No caminho, decidiu parar em uma loja e presentear o Tiago Santana com um chapéu Panamá. Não basta querer, tem que saber. Tivemos uma aula sobre os diversos formatos de chapéu Panamá e depois, fomos ao Rio Minho, onde celebramos o encontro e fundamos a Confraria do Chapéu Panamá. Bom video a todos!
Sustentabilidade com distribuição de renda – Blog do Luis Nassif
Do Blog de Conti-Bosso
Comentário de Erly Ricci no post do Nassif: Como o Brasil poderá se beneficiar da crise – 6
Não há como promover a sustentabilidade sem distribuição de riquezas. Primeiro, que só pode ser sustentável o que atua em rede, aplicando-se algumas leis do modelo sistêmico como interdependência mútua, parceria, cooperação, diversidade e até reciclagem e flexibilização.
Explico:
1 – interdependência – a dependência mútua de todos os processos vitais do sistema, que deriva suas propriedades essenciais e a sua própria existência nas relações com outras coisas (a saúde de cada membro do sistema depende da saúde de muitos outros);
A natureza cíclica dos processos sistêmicos é um importante princípio da sustentabilidade. Os laços de realimentação dos sistemas são as vias ao longo das quais os nutrientes são continuamente reciclados (sendo sistemas abertos, todos os organismos de um sistema produzem resíduos, mas o que é resíduo para uma atividade é alimento para outra, de modo que o todo permanece livre de resíduos);
3 – parceria e cooperação – uma característica essencial do conceito sistêmico, uma tendência para estabelecer ligações, para viver dentro de outra organização e para cooperar – é um dos certificados de qualidade – a competição só favorece a acumulação e não a distribuição;
4 – flexibilidade – é o resultado dos múltiplos laços de realimentação, que tendem a levar o sistema de volta ao equilíbrio sempre que houver um desvio com relação à norma, devido a condições ambientais mutáveis;
5 – diversidade – a complexidade da uma rede sistêmica é uma consequência da sua diversidade. Uma atividade sistêmica diversificada é elástica, capaz de se adaptar a situações mutáveis.
As crises de hoje e de ontem deram-se justamente por falta de uma percepção mais acurada de que as organizações produtivas necessitam compartilhamento e laços de retroalimentação independentes, flexíveis, cooperativos, em rede complexa e diversificada. No modelo atual, por ser extremamente inflexível, competitivo e monopolista, quando uma variável sobe ou desce demais ocorre a perda de controle, o desequilíbrio que rompe as relações gerando tensão em todo o sistema e consequêntemente a supressão cirúrgica que compromete o equilíbrio do todo.
“A extrema pobreza é também um estado de solidão” – Walquíria Domingues Leão, professora do Programa de pós-graduação em Sociologia da Unicamp sobre a pesquisa realizada por ela analisando os impactos do Bolsa Família na vida das mulheres.
Do Brasilianas.org – Luis Nassif
Lula, a voz do Brasil – por Frei Beto
Frei Beto: Lula, a voz do Brasil
Frei Betto, do site Adital,
Lula é, hoje, a voz do Brasil. De modo especial, a voz dos que não têm voz. Nenhum brasileiro tem, no exterior, tanta audiência. Os chefes de Estado prestam atenção no que ele diz, inclusive Dilma Rousseff.
Universidades dos cinco continentes o homenageiam com o diploma de doutor “honoris causa”. Empresários, dentro e fora do Brasil, querem conhecer seu ponto de vista sobre a conjuntura. Organismos internacionais se interessam pelo modo como o seu governo combateu a fome e reduziu a desigualdade social no Brasil.
A vida é imprevisível. Frágil como uma folha seca. E o futuro a Deus pertence. Súbito, Lula vê-se afetado por um câncer na laringe. Até parece que a natureza decidiu atingi-lo em seu calcanhar de Aquiles. Como ocorreu ao pianista João Carlos Martins, cujos dedos das mãos, afetados por uma sucessão de problemas de saúde, quase o obrigaram a se afastar da música. Hoje, ele é reconhecidamente um exímio regente.
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Se o seu servico de internet é gratuito, você não é cliente, é produto.
O norte-americano David Riecks fundou o ControlledVocabulary.com como uma fonte para indicar a melhor forma de contruir uma lista de ‘vocabulario controlado’, palavras chave para descrever imagens em bancos de dados. Rieckst também está envolvido com uma série de iniciativas ligadas ao assunto além de ser presença regular nos maiores simpósios da área. É conselheiro do PLUS Coalition, que desenvolveu o Picture Licensing Universal Standards e recentimente assumiu a liderança do projeto Stock Artists Alliance, Photo Metadata Education project, revertendo o premio que recebeu da US Library of Congress como parte da iniciativa. Em reconhecimento dos anos de trabalho dedicados a pesquisa e apoio no sistema de metadados, ele foi nomiado “Pioneer of Digital Preservation” pela Library of Congress in 2009.
Em recente mesa de debates do Paraty em Foco 2011, cujo tema foi “o arquivo do futuro”, David disparou a flecha de prata: “se você contrata e paga um serviço na internet, a mediação entre você e o serviço é sempre via o SAC (Serviço de Atendimento ao Cliente) e funciona bem pois eles sabem que se o tratarem mal você muda de serviço porque está pagando, mas se o seu serviço de internet é gratuito, você não é cliente, é produto”. O burburinho no auditório deu bem a dimensão da revelação que é óbvia mas para a qual nem sempre estamos atentos. E essa frase veio em meio a discussão provocada por uma pergunta da platéia. Porque os metadados das fotos são apagados quando elas são enviadas para o Facebook?
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A imagem síntese
A foto de capa da edição de hoje (09/11/2011) do jornal o Globo, de autoria de Michel Filho, é um primor. Resume toda a história dos fatos recentes na USP. Um policial e armado, no local das fotos dos reitores. Pela posição ocupada pelo policial, ele é “o novo Reitor”, representando a postura tanto da Reitoria da USP quanto do próprio governo do Estado. Parabéns ao Michel Filho.
O “Senhorio” da moeda
Os juros e o Banco Central
por Mauro Santayana, no Jornal do Brasil, via Conversa Afiada, via Vi o Mundo
Os defensores da plena autonomia do Banco Central consideraram um erro a redução da taxa Selic, de meio ponto percentual, para 12% ao ano — ainda assim, a mais alta entre as economias industrializadas.
Sempre que isso ocorre, os mesmos interesses se erguem, na defesa dos rentistas. Como as moedas não copulam, nem partejam, quem paga os juros é o trabalho, que produz a mais valia obtida pelo capital.
Desculpem se a expressão é marxista, mas qualquer um que pense um pouco não precisa de Marx e seus textos contestados pelo fundamentalismo mercantil, para chegar à verdade.Como trabalho se entenda também a administração das empresas produtivas, seja diretamente pelos acionistas ou gerentes contratados.
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Alberto Dines e o caso Veja x José Dirceu
Do Observatório da Imprensa
JOSÉ DIRCEU vs. VEJA
Jornalismo político volta à Era da Pedra Lascada
Por Alberto Dines
“Caso o ministro Paulo Bernardo (Comunicações) fique insustentável, a presidente Dilma tem seu preferido: Franklin Martins”. (“Panorama Político”, O Globo, domingo, 28/8, pg. 2). Três linhas apenas, no pé da coluna. O suficiente, a mídia entenderá o recado.
Há hoje uma metamensagem ou criptojornalismo, cifrado, exclusivo de um seleto grupo de iluminados. O governo manda suas mensagens, a mídia é obrigada a entender. Mesmo não gostando. A réplica pode vir com a mesma sutileza. Profissionais não brincam em serviço. Faz parte do jogo democrático.
A pergunta do Giannotti
Edmilson Lopes Júnior
De Natal (RN)
Na última semana, um encontro promovido pelo Instituto Fernando Henrique reuniu antigos dirigentes da área econômica e intelectuais tucanos para diagnosticar os principais problemas econômicos do país e, se possível, apontar propostas substantivas para uma alternativa ao que vem sendo feito desde que o Lula tomou posse em 2003. O título do evento não poderia ser mais pomposo: “Transição incompleta e dilemas da (macro) economia brasileira”.
Os “pais do Real”, hoje aboletados nas direções de bancos e fundos de gestão, não trouxeram a esperada luz que iluminaria o escuro caminho da oposição. Com a notável exceção de Pérsio Arida, que apontou a necessidade de uma revisão das regras de gestão e de aplicação dos recursos dos fundos dos trabalhadores (FGTS e FAT), os demais pisaram sobre terreno por demais batido. Queriam mais do mesmo: redução dos gastos públicos. Houve até quem propusesse que abandonássemos a perseguição do modelo de estado de bem-estar (welfare state) europeu.
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Enquanto isso…numa certa ANJ…
O Globo (30/08/2011) – Jornais discutem a cobrança de conteúdo digital
Em congresso da ANJ, consenso é de adoção de novas estratégias, mas sem a pressa do modelo americano
Eliária Andrade
Marcelle Ribeiro
marcelle@sp.oglobo.com.br
SÃO PAULO. Executivos de grandes jornais brasileiros estão analisando uma forma para cobrar pelo acesso à informação nos seus portais na internet. Em congresso da Associação Nacional de Jornais (ANJ), que começou ontem e se encerra hoje, em São Paulo, diretores dos grupos que controlam os jornais O GLOBO, “Folha de S. Paulo”, “O Estado de S. Paulo” e “Lance!” afirmaram que é preciso pensar a maneira de fazer essa cobrança a curto prazo e decidir se é o caso de seguir o exemplo de jornais americanos como o “The New York Times”, que já cobram pelo acesso a seus conteúdos na internet.
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O mundo está mudado mesmo…
Da Folha de SP – http://www1.folha.uol.com.br/fsp/mundo/ft2908201109.htm
LUIZ CARLOS BRESSER-PEREIRA
O mal-estar dos nossos dias
Os anos neoliberais do capitalismo terminaram com a crise financeira de 2008, que os desmoralizou
VIVEMOS UM tempo de crise, um tempo de mal-estar. A selvagem revolta no Reino Unido mostrou com clareza; foi uma reedição agravada das revoltas da França de 2005.
Essas, como as manifestações mais moderadas e mais objetivas na Grécia, na Espanha, e na própria Inglaterra contra as políticas de austeridade impostas pelos credores ou então autoimpostas pelo próprio governo conservador, demonstram que não vivemos dias felizes.
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Minc recebe o MST
Em Brasília desde segunda-feira (22) para a Jornada Nacional de Lutas, representantes culturais do Movimento dos Sem-Terra (MST) encontraram-se na manhã desta sexta-feira (26) com o secretário-executivo do Ministério da Cultura, Vitor Ortiz, e a assessora especial do MinC, Morgana Eneile. Da pauta constaram ações que fomentem aspectos culturais no campo e que contribuam para a permanência dos jovens nas áreas rurais.
Os representantes do movimento social que compõem a Via Campesina Brasil entregaram documento com 14 pontos de reivindicações, como, por exemplo, a criação de programas de capacitação nas áreas de inclusão digital, audiovisual, rádio, teatro, artes plásticas, literatura e artesanato; criação de espaços culturais no campo; produção e fomento a programas de TV e documentários que valorizem a cultura campesina, dentre outras solicitações.
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Blogueiro Len explica como foram feitas as imagens de Veja
Antes de publicar a edição dessa semana, a revista VEJA já tinha se complicado com a denúncia de José Dirceu. Foi aberto boletim de ocorrência no 5º distrito policial de Brasília, que conta com o depoimento da camareira e do chefe de segurança do hotel. Na edição dessa semana, por burrice ou amadorismo, a revista produz prova robusta contra si mesma.
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Memorial ao sargento Manoel Raimundo Soares
Inauguraçãodo memorial em homenagem ao sargento Manoel Raimundo Soares – Foto: Carlos Carvalho
Com a presença da ministra Maria do Rosário, da Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República (SDH/PR), foi inaugurado na sexta-feira dia 25, em Porto Alegre, o memorial “Mãos Amarradas”, em homenagem aos mortos e desaparecidos políticos brasileiros na ditadura militar. O memorial homenageia o Sargento Manoel Raimundo Soares, morto sob tortura durante o regime.
Martin Wolf: Aproveitar a oportunidade para reformar a mídia – Do site Vi o Mundo
Martin Wolf: Aproveitar a oportunidade para reformar a mídia
July 14, 2011 11:25 pm
Seize the chance for media reform
By Martin Wolf, no Financial Times
Crianças intimidadas cercando o valentão do parque — este é o espetáculo no Reino Unido desde que o escândalo da violação dos telefones pelo [tablóide] News of the World explodiu. Como um dos que faz tempo acreditavam que a influência de Rupert Murdoch na vida pública do Reino Unido era intolerável, estou encantado com essa mudança. Mas ódio não é suficiente. O Reino Unido deve aproveitar a oportunidade para reconsiderar a estrutura e a regulamentação de sua mídia.
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É do Paraná a ganhadora do primeiro exemplar do livro do Felizardo
Fernanda C. Negrão de Melo, do Paraná, é a ganhadora do primeiro exemplar do livro “A Fotografia de Luiz Carlos Felizardo”. Parabéns Fernanda. Em breve seu ememplar vai ser entregue em sua casa!
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É hoje, dia 5 de agosto às 14 horas o sorteio do primeiro livro
Daqui a pouco, às 14 horas, acontece o sorteio do primeiro exemplar do livro “A Fotografia de Luiz Carlos Felizardo”. Se você ainda não se increveu, ainda dá tempo. Acesse www.n-50mm.org e se inscreva!
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O terrorista de olhos azuiz – Frei Beto – da Adital
Preconceitos, como mentiras, nascem da falta de informação (ignorância) e excesso de repetição. Se pais de uma criança branca se referem em termos pejorativos a negros e indígenas, judeus e homossexuais, dificilmente a criança, quando adulta, escapará do preconceito.
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Agosto é o mês da fotografia. Aproveite. Tem livro sendo sorteado.
O livro “A Fotografia de Luiz Carlos Felizardo” teve lançamento de uma edição especial durante o FestFotoPoA 2011 como parte da homenagem do festival ao fotógrafo gaúcho. Agora é chegada a hora do lançamento comercial, que acontece dia 18 de agosto no Centro Cultural Erico Verissimo, da CEEe – Companhia Estadual de Energia Elétrica do Rio Grande do Sul, patrocinadora do livro.
Para comemorar o lançamento, a coordenação do FestFotoPoA vai sortear quatro exemplares do livro, dois aqui no 50mm e dois no site Mesa de Luz.
Para participar do sorteio basta clicar no banner do sorteio nos dois sites e você será dirigido à página do sorteio. Preencha a ficha de inscrição, clique em enviar e aguarde os dias dos sorteios: 5 e 26 de agosto aqui no 50mm e 12 e 19 de agosto no Mesa de Luz (www.mesadeluz.org)
O livro
A obra apresenta fotografias de Luiz Carlos Felizardo, alguns trabalhos em colagem e outros feitos a partir de nanquim sobre celofane. A publicação é estruturada em seis blocos – O Início (até 1984); Um ano com Frederick Sommer (1984-1985); Fotografias (1985-2010); O Sonho e a Ruína (São Miguel das Missões); Em Trânsito; Traquinagens. Cada bloco é apresentado e comentado pelo próprio Felizardo. O livro conta com três textos de análise – Visões e Introvisões de Luiz Carlos Felizardo, o escritor e fotógrafo Pedro Afonso Vasquez analisa o desenvolvimento da linguagem fotográfica do artista e descreve sua trajetória a partir de aspectos técnicos e poéticos. A jornalista e crítica de arte, Paula Ramos escreve sobre as fotografias das ruínas de São Miguel das Missões, no texto O Sonho e a Ruína. O pesquisador e crítico de fotografia Rubens Fernandes Junior dedica-se às imagens captadas em viagens, registradas em formato 35mm, no texto Fotografia e Invenção. O livro ainda traz uma Cronologia, com a indicação de dados biográficos, participação em exposições e a reprodução de fragmentos de textos críticos de época sobre o trabalho de Luiz Carlos Felizardo.
Serviço:
O que: Lançamento do livro “A Fotografia de Luiz Carlos Felizardo”
Quando: 18 de agosto de 2011 – 19 horas
Onde: Centro Cultural CEEE Erico Verissim0
Rua dos Andradas, 1223 – Porto Alegre/RS CEP 90020-008 Fones: 51 3226-7974 e 3226-5342
Festa de Inauguração Pública Agência de Jornalismo Investigativo
A Pública gostaria de convidar a todos para celebrar seus primeiros passos. Fundada em março deste ano pelas jornalistas Marina Amaral, Natalia Viana e Tatiana Merlino, a agência produz e difunde investigações de interesse público que nem sempre têm espaço na imprensa tradicional. Todas as nossas reportagens são de livre reprodução, desde que citada a fonte. Acreditamos que o que é relevante deve ser espalhado. Venha celebrar com a gente!
Será um evento aberto e gratuito, para quem quer discutir o jornalismo fora da redação.
Não é necessário fazer inscrição.
PROGRAMAÇÃO:
CONVERSA PÚBLICA – bate-papo sobre jornalismo independente
- 14 h: Aron Pilhofer, diretor de interatividade do jornal The New York Times que tem diversos projetos paralelos, como o document cloud, que facilita a disponibilização e proteção de documentos na internet. (www.aronpilhofer.com)
- 15 h: Andrew Jennings, único jornalista do mundo banido pela FIFA de participar de conferências de imprensa por causa das diversas denúncias contra a instituição. Andrew está profundamente interssado no processo da Copa 2014 e vai falar sobre isso. (www.transparencyinsport.org)
- 16 h: Kristinn Hrafnsson, porta-voz do WikiLeaks e um dos maiores jornalistas investigativos da Islândia, vai falar sobre a organização e o julgamento da extradição de Julian Assange, que acontece no dia 12 de julho. Se acatada, o fundador do WikiLeaks pode ficar preso na Suécia pelo polêmico caso de abuso sexual.
+ Às 18 horas, roda de Samba com o grupo Timbó.
A Pública aguarda sua presença!
MAIS INFORMAÇÕES: contato.publica@gmail.com
Odeia a Mídia? Seja Mídia!
O título desse post é um bordão dos ativitas italianos e resume o que pessoalmente acho que, nós blogueiros sujos, devemos ter como meta enquanto ativistas que disputam o poder – sim, sem inocência aqui - e também na minha modesta opinião estamos anos luz de distância. O título foi extraído de um post de Ivana Bentes, que vi lá no Nassif. Nem tudo me ilunima e encanta, mas vejos luzes interessantes nesse post. Uma análise crua da disputa do poder e o papel das novas tecnologias. Não é apenas a direita que está perdida nas redes sociais, uma boa parte da esquerda também e mesmo nós não saímos do círculo vicioso e viciante do twitterismo. Mas deixo a análise para a Ivana, e chamo a atenção para o sguinte parágrafo:
Como dizem os ativistas italianos: “Odeia a Mídia? Torne-se Mídia”. A velha esquerda foi incapaz de fazer frente as velhas corporações, perdeu para a mídia de massas, conseguiu pautar algumas politicas públicas, mas está francamente perdida no capitalismo dos fluxos e das redes. Não sabe como resistir, nem inovar, nem experimentar, nem ousar. Está tristemente na retaguarda do próprio mercado!!!
Nós, blogueiros sujos, também estamos nessa rede errada. Ou nos capacitamos Já ou vamos nos emaranhar.
A Esquerda nos Eixos e o novo ativismo
Do Brasilianas.org
Pretendia escrever um texto de avaliação sobre as Marchas da Liberdade em todo Brasil quando vi este artigo na rede ["A esquerda fora do eixo, publicado dia 17 de Junho de 2011 no site Passa a Palavra com assinatura coletiva http://passapalavra.info/?p=41221] sintomático da perplexidade de certos setores da esquerda tradicional com as mudanças e crise do capitalismo fordista e as novas dinâmicas de resistência e criação dentro do chamado capitalismo cognitivo (pós-fordista, da informação ou cultural).
Crise e desestruturação que tem como horizonte a universalização dos meios de produção e infra-estrutura pública instalada, a constituição de novos circuitos e mercados e a emergência de uma intelectualidade de massa (não mais o “proletariado”, mas o cognitariado) com a possibilidade da apropriação tecnológica por diferentes grupo (software livre, códigos abertos, cultura digital).
Crise e paradoxo onde o próprio crescimento gera e multiplica precariedade, mas também novas dinâmicas e modelos.
O capitalismo da “abundância” produz crise ao entrar no horizonte da gratuidade/compartilhamento/colaboração com uma mutação da própria idéia de “propriedade” (ver a crise do Direito Autoral).
O texto percebe as mudanças, estruturais, mas não consegue ir além nas conseqüências e funciona como uma caricatura que busca demonizar as novas dinâmicas sociais e culturais pós-fordistas e despotencializar a cultura digital, o midiativismo e as estratégias de apropriação tecnológicas das redes, inclusive a apropriação de ferramentas como o Facebook, twitter e outras para causas e objetivos próprios, como fizeram os árabes e os espanhóis, hackeando as novas corporações pós-fordistas.
Falta ao texto (além de diagnósticos equivocados sobre a “nova classe dominante”) um arsenal teórico minimamente a altura das mutações, crises e impasses do próprio capitalismo.
Há uma frase sintomática neste artigo que me chamou atenção e que esclarece em muito sobre “quem” fala e de “onde” fala sob a assinatura anônima/coletiva:
Diz: “é praticamente impossível para um observador desatento ou viciado nas velhas estruturas identificar e combater o novo sujeito formado por este coletivo (ou rede).”, referindo-se ao Circuito Fora do Eixo a quem os autores atribuem _ numa teoria “conspiratória” que não esconde uma envergonhada admiração_ praticamente tudo o que está acontecendo de mais interessante na cena do ativismo brasileiro!
A frase explicita o medo diante das novas dinâmicas que estão sendo inventadas e experimentadas “fora do eixo” da esquerda clássica, criando experiências e conceitos que explodem o arsenal de teorias maniqueístas fordistas de uma esquerda pautada pelo capitalismo do século XX, incapaz de enxergar as “revoluções do capitalismo”, dentro “do” capitalismo e que vem sendo discutidas pelo menos desde maio de 68 ou logo depois quando, por exemplo, os teóricos-ativistas Gilles Deleuze e Félix Guattari lançaram o extraordinário manifesto “O Anti-Édipo ou Capitalismo e Esquizofrenia”, de 1972. Ou que ignora as análises sobre as mutações do capitalismo tematizadas por um teórico comunista como Antonio Negri, nos livros “Império” e “Multidão”, dois clássicos contemporâneos.
A frase dá bem a dimensão desse medo e incompreensão do novo e aponta a própria incapacidade de ver dos autores do artigo.
O observador “viciado nas velhas estruturas” é exatamente “quem fala” neste texto, que também se entrega, medroso e preocupado, com a perda do seu próprio protagonismo. Perda de toda uma esquerda fordista que funciona hoje como a “vanguarda da retaguarda” mais conservadora até que muitas dinâmicas do próprio mercado!
Entre os problemas mais gritantes destaco:
1.O texto não consegue configurar que os movimentos e articulações, ainda que incipientes, das marchas das liberdades em todo Brasil não são “a nova classe dominante”, mas a emergência de um movimento transversal, “movimento de movimentos”, com dinâmica própria e singular em cada território, com uma pauta heterogênea, aberta e em construção, sem “central única” ou “comando” dos “iluminados”, que se auto-organiza e cujos “fins” não foram dados a priori!
2. Não se trata de uma “nova classe média liberal”, nem “nova classe dominante”, “despolitizada”, mas de um arranjo transversal que junta e agrega o chamado precariado urbano, a nova força de transformação no capitalismo contemporâneo.
3. Ou seja, movimentos como os das marchas (e tantos outros) ou o Circuito Fora do Eixo são a base de um novo ativismo contemporâneo, a da emergência do precariado cognitivo, ou cultural, ou seja, da explosão e da percepção que o sistema trabalhista fordista e previdenciário clássicos não dão mais contas da dinâmica de ocupações ‘livres’ (mesmo que frágeis e sem segurança) no capitalismo da informação. E que essa precariedade e autonomia não significa apenas “vitimizar” e “assujeitar” é uma potência para novos arranjos, alianças e lutas.
4. O Circuito Fora do Eixo é, no meu entender, um dos mais potentes laboratórios de experimentações das novas dinâmicas do trabalho e das subjetividades. Que tem como base: autonomia, liberdade e um novo “comunismo” (construção de Comum, comunidade, caixas coletivos, moedas coletivas, redes integradas, economia viva e mercados solidários).
Estão FORA do eixo/fetiche da esquerda por trabalhadores assujeitados na relação patrão/empregado! Mas tem enorme potência para articularem não apenas a classe média urbana, mas se articularem com os pobres e precários das periferias e favelas, ao se conectarem com outras redes como a da CUFA e outras, que junta os jovens negros e pobres para outras marchas como a do Direito a Moradia, em preparação. Além de outras articulações sem medo de “aparelhamentos” seja das corporações, dos partidos, ou do Estado. Sem demonizar as relações com os mercados, mas inventando e pautando, “criando” outros mercados, fora da lógica fordista do assujeitamento.
5. Ou seja, o Fora do Eixo entendeu que o modelo na produção cultural é o modelo de funcionamento do próprio capitalismo.
Não mais o capitalismo fordista da “carteira assinada” mas o dos zilhões de free-lancers, autônomos, diplomados sem empregos, sub-empregados, camelôs, favelados, contratados temporários, designes, artistas, atores, técnicos, que ou “vendem” sua força livre de trabalho com atividades flutuantes temporárias, ou se ORGANIZAM e INVENTAM o próprio emprego/ocupação e novos circuitos, como tem feito de forma incrivelmente bem sucedida o Circuito Fora do Eixo, resignificando e potencializando o imaginário de jovens no Brasil inteiro.
Uma esquerda pós-fordista que está dando certo, que inventa estratégias de Mídia, que inventa “mercados” solidários, contrariando os anunciadores do apocalipse.
6. A ideia de que, para se ter “direitos”, é preciso se “assujeitar” em uma relação de patrão/empregado, de “assalariamento”, é uma ideia francamente conservadora. O precariado cognitivo, os jovens precários das economias da cultura estão reinventando as relações de trabalho; os desafios são enormes, a economia pós-Google não é fordista, não é melhor nem pior que as velhas corporações, mas abre para outras dinâmicas e estratégias de luta, EM DISPUTA!
Não vamos combater as novas assimetrias e desigualdades com discursos e instrumentos da revolução industrial!!! Como faz o texto na sua argumentação redutora e tendenciosa.
Não é só o capitalismo financeiro que funciona em fluxo e em rede, veloz e dinâmico. As novas lutas e resistências passam por essas mesmas estratégias.
O Fora do Eixo está apontando para as novas formas de lutas, novas estratégias e ferramentas, que inclui inclusive PAUTAR AS POLITICA PUBLICAS, PAUTAR o Parlamento, PAUTAR A MIDIA, Pautar a Globo, como as marchas conseguiram fazer! Ser bem sucedido ai, onde muitos fracassaram, é o que parece imperdoável!
Há um enorme ressentimento no texto, mal disfarçado, diante de tanta potência, lida pela chave mesquinha da “luta por poder”, “captalização de prestígio”, da “nova classe dominante”. O objetivo infelizmente parece ser o de desqualificar, rotular e “neutralizar” os que são os novos aliados de uma radicalização do processo democrático no Brasil, que estão inovando na linguagem e nas estratégias. “Perigo” que ameaça a jovem/velha esquerda, que perde protagonismo em todas as esferas, incapaz de dialogar com esse novo e complexo cenário, com todos os seus riscos. Experimentar = se expor aos riscos.
7. Como dizem os ativistas italianos: “Odeia a Mídia? Torne-se Mídia”. A velha esquerda foi incapaz de fazer frente as velhas corporações, perdeu para a mídia de massas, conseguiu pautar algumas politicas públicas, mas está francamente perdida no capitalismo dos fluxos e das redes. Não sabe como resistir, nem inovar, nem experimentar, nem ousar. Está tristemente na retaguarda do próprio mercado!!!
8. O artigo parece ter como horizonte a luta por cartórios do século XIX!!! Com estratégias e palavras de ordem abstratas, um “anticapitalismo” vago que perdeu o sentido. Pois as novas lutas são em FLUXO, são modulações, não são MOLDES PRE-FABRICADOS, não são sequer anti-capitalistas, no sentido estrito, pois estão hackeando o capitalismo, se apropriando de suas estratégias para resignificar o COMUNISMO das redes, no sentido mais radical de um comunismo DENTRO do próprio capitalismo, esquizofrenia do sistema que produz hoje um horizonte do COMUM, que temos que construir e pelo que temos que lutar.
9. É preciso dizer ainda que “não existe UM outro mundo”, não existe “fora do capitalismo” (como diz Guattari e Negri) só existe esse mundo aqui, em processo, mutante, imanência radical, e é deste mundo aqui (um rio que vem de longe…) que iremos inventar outros tantos mundos, no plural.
10. O Fora do Eixo, nas suas práticas de criação de comum e comunidades (que o texto detecta mas distorce) e politização do cotidiano, não é o “inimigo” a combater, estão forjando as novas armas para os movimentos em fluxo, então criando redes, fazendo midiativismo, estão relendo e re-inventando, de forma empírica e genial, dinâmicas e processos decisivos dos embates políticos: situacionismo, Maio de 68, experiências de Seatle, hackerativismo, cultura livre, estão na deriva e na luta. A “geração em rede” não mascara nenhum tipo de “conteúdo político oculto e perigoso” que precisa ser desmascarado, ela é o novo conteúdo e linguagem política, ela encarna as novas lutas e está inventando futuros alternativos. (IB)
Publicado no SITE http://www.trezentos.blog.br/?p=6056#comments
Verissimo, o segredo eterno e a maconha
De Luis Fernando Verissimo – O Globo
Ó Dilma!
Deixa ver se eu entendi. Querem liberar a maconha e proibir a pesquisa histórica, mesmo para fins terapêuticos. É isso? Nacionalizar a maconha e privatizar o passado? Uma coisa não teria nada a ver com a outra se a atitude comum do brasileiro em relação à sua história não se parecesse com a letargia e a despreocupação que — dizem, eu nunca provei — caracteriza o barato da maconha. Agora mesmo, pode-se imaginar que muita gente marchará pelo direito de fumar maconha sem culpa, no que estará com toda a razão, mas não se prevê nenhuma grande manifestação popular contra a proposta de proibir para sempre o acesso a certos documentos históricos, com faixas dizendo “Queremos saber tudo sobre a Guerra do Paraguai”. E, no entanto, o direito de conhecer o passado sem restrição deveria ser tão natural quanto o direito a um baseado descriminalizado. Não bastasse os militares sentados em cima dos dados e das dúvidas sobre o período da repressão, vem essa ideia do segredo eterno para sonegar ainda mais à nação sua própria biografia. O objetivo é concluir que o passado não existiu e não se fala mais nisso. A presidente, dizem, aceitou a ideia do Sarney e do Collor, logo do Sarney e do Collor, contrariando o que deveria ser o seu instinto. Ó Dilma!
Unesco e EBC promovem seminário sobre mídias públicas
Do Cultura e Mercado
A Representação da Unesco no Brasil e a Empresa Brasil de Comunicação (EBC)/TV Brasil realizam, nos próximos dias 30 de junho e 1º de julho, o ”Seminário Internacional de Mídias Públicas: Desafios e Oportunidades para o Século XXI”. O evento reunirá, na sede da EBC, em Brasília, alguns dos maiores especialistas internacionais em radiodifusão pública, representantes de entidades e dirigentes de empresas de comunicação da América Latina, dos Estados Unidos e da Europa.
Serão debatidas as experiências de comunicação já implantadas e o futuro destas mídias no século que se inicia, marcado por grandes transformações tecnológicas que têm impacto nas comunicações em geral. Entre os temas estão os modelos de gestão, os modelos de financiamento, transparência, accountability e autoregulação, manuais de jornalismo público, produção de conteúdos e programação.
Na ocasião será lançada, regionalmente, a publicação “Public Service Broadcasting: a comparative legal survey” (Radiodifusão Pública: um estudo de direito comparado), de autoria de Toby Mendel. Está é a segunda edição, revista e ampliada, de estudo clássico de Mendel sobre o tema, o qual aborda a questão em países como Austrália, Canadá, França, Japão, Polônia, África do Sul, Tailândia e Reino Unido.
Toby Mendel é também autor, em conjunto com Eve Salomon, do estudo “O Ambiente Regulatório para a Radiodifusão: uma Pesquisa de Melhores Práticas para os Atores-Chave Brasileiros”, produzido em conjunto com a especialista Eve Salomon, que foi lançado em março passado pela Unesco no Brasil. O estudo é uma investigação da atual situação regulatória do sistema midiático brasileiro em comparação com práticas correntes em 10 outras democracias (África do Sul, Alemanha, Canadá, Chile, França, Estados Unidos, Jamaica, Malásia, Reino Unido e Tailândia) e com o recomendado pela legislação internacional.
O Seminário Internacional de Mídias Públicas: desafios e oportunidades para o século XXI será transmitido, integralmente, pela webcast da EBC e pelo canal internacional da TV Brasil.
Confira aqui a programação completa.
Se a Amazônia é um “deserto”, por que morre gente por lá?
Aqui tem gente from Revista Mesa de Luz on Vimeo.
Venho usando em meus posts, fotos minhas de 10, 15, 20 anos atrás. São imagens de temas sociais que não conseguimos resolver em quase 30 décadas. Tempo em que muitos presidentes, de direita e de esquerda estiveram no poder e não conseguiram resolver. Um desses temas é a Amazônia e com pequenas variações de uma década para outra, nada muda a não ser os nomes do mortos e despejados por grileiros. O jornalista Leonardo Sakamoto, aborda um assunto interessante, que é o da dialética usada para fins ideológicos do que detêm o poder econômico e que é alimentado pela ignorância de muita gente boa. O texto abaixo é do Leonardo e o vídeo acima é meu. Estou me repetindo, pois postei esse vídeo aqui mesmo há dois anos atrás.
Leonardo Sakamoto – Blog do Sakamoto – via UOL
Ouvi essa pergunta diversas vezes nos últimos dias, vinda de pessoas que eram adultas durante os Anos de Chumbo. E que foram vítimas de sua propaganda.
Quando a ocupação sistemática das terras não aproveitadas interessa a classes que detém o poder econômico, ela elabora seus mitos e cria seus heróis. Para impor seus objetivos por meio do aparelho jurídico e administrativo do Estado, são construídos suportes de legitimação que mostrem que os seus próprios interesses são, na verdade, interesses de todos e, principalmente, daqueles que vão pagar o pato. Ou seja, fazem você acreditar que o que é bom para eles é bom para você. Como bem explicou o professor Jean Hébette, a fronteira agrícola não se constitui fenômeno autônomo, nem no que se convencionou chamar sua fase pioneira (dos primeiros ocupantes que atingem e “amansam” uma área), nem na sua fase de expansão (da ocupação ampliada de forma estrutural).
A construção desse suporte ideológico culminou no slogan “Terra sem homens para homens sem terra”, utilizado pelos verde-oliva. Apesar de adaptado ao novo momento, ele não foi uma novidade, mas um último produto de uma ideologia da colonização que contou com Cassiano Ricardo, em sua “A Marcha para o Oeste”, Azevedo Amaral, na revista “Novas Diretrizes”, e o nacionalismo de Getúlio Vargas através de seus discursos sobre a necessidade de colonizar a Amazônia e integrar o Oeste do país ao litoral. Esse slogan tinha o objetivo de transmitir a idéia de que a Amazônia é um grande deserto verde, desabitado. Contudo, uma olhadinha rápida demonstra a falácia presente na utilização desses discursos, uma vez que terras almejadas pelos novos empreendimentos agropecuários e extrativistas são, na verdade, habitadas por populações indígenas, ribeirinhas, quilombolas, posseiros e colonos. O que esse slogan encobre é que a Amazônia não é um vazio e que a imagem de “deserto verde” é uma construção que serve às forças econômicas interessadas em ocupar a região.
Muitas vezes, os posseiros que ali chegaram por conta própria, acreditando nesse slogan, foram transferidos de suas propriedades depois de “amansar” a terra para os grandes empreendimentos. Parte deles foram colocados em programas oficiais de colonização e acabam servindo de mão-de-obra barata, enquanto outros expulsos de suas terras seguiram para os municípios, também engrossando a força de trabalho disponível e barata para a agropecuária e o extrativismo, além de empresas nos centros urbanos. Há os que decidiram resistir e permanecer em suas terras ou ocupar áreas griladas ou improdutivas, em uma história que vai dos conflitos dos posseiros na região do Bico do Papagaio, Norte do atual Estado do Tocantins, na década de 70, até os projetos sustentáveis, como o de Anapu (pela qual morreu Dorothy Stang) e o de Nova Ipixuna (no qual tombaram Maria e Zé Cláudio há duas semanas).
Afinal de contas, como todos sabemos, se é um deserto, não tem ninguém. E matar ninguém, não é crime. Certo?
A radicalização da democracia
O conceito da física quântica, de que nada “é”, mas “está sendo”, permeia hoje todos os experimentos, ou melhor todas as vivências no mundo científico. Essa percepção é uma prática antiga nas filosofias orientais e imagino que sempre norteou as pesquisas japonesas e seu modelo de repetição de um fenômeno físico dentro dos laboratórios “até que algo de novo” apareça dentro dessa repetição exaustiva. Esse modelo de pesquisa científica sempre foi menosprezado no ocidente principalmente nos laboratórios norte-americanos. Hoje ele é prática comum em todo ambiente de experimentação. O conceito de que algo de novo “só se exprimia aos nossos olhos foi superado pela proposta de experiência no sentido de vivência.O que isso tudo tem a ver com democracia e sua radicalização?
Se na parte mais ínfima da matéria que nos é dado, até o momento, conhecer, esse conceito de “está sendo” é o único que nos possibilita avançar no conhecimento, porque não deveria ser assim no plano dito “real”? Estamos hoje no plano político, com a mesma visão e postura norte-americana, toda baseada na física Newtoniana, que sempre os explicou o que víamos e o que não víamos ficava no campo da magia. A magia hoje, radicalizou a física e sua denominação quântica é um feliz achado linguístico e surpreendentemente universal.
A democracia hoje não é mais uma prática do animal político institucional, de resto fadado à extinção. A própria prática da convivência social, superou conceitos e limites colocados pela democracia representativa, que de resto não passa de uma síndrome da possibilidade. Mas ela também é a parte carnal, materialista no pior sentido, do imaginário social da humanidade.
Como diz Vinícius Wu, as pessoas não vão (já não estão) mais levar a sério, governos regidos por políticos que se revezam no poder. Mas o que se coloca agora não é mais apenas o projeto político mas sim a psicanálise do projeto. A dicotomia entre capitalismo e comunismo é uma espécie de filme que não termina e estamos sempre aguardando um diretor para o corte final. E essa espera é do campo psicológico e não do campo político. No espaço político essa dicotomia é do campo da física Newtoniana, e as sociedades já estão impondo a Quântica, nas relações sociais, em si mesmas independentes do aparelho político institucional. No DNA capitalista, a democracia é um vírus que vem sendo combatido com grande sucesso e a radicalização da democracia é a única forma de derrubar o enfermo, mas particularmente não me iludo, não dá a certeza do triunfo. E essa radicalização está fora do campo político representativo, institucional. Está nas “ruas virtuais” das redes sociais por enquanto, mas a tendência é que encontre outras formas, o “algo de novo” que vai nos surpreender quando “já estiver sendo”. E dentro desse campo de possibilidades, acredito que temos que incorporar o “valor” psicanalítico das sociedades. Qualquer evento social humano é o evento em si + as idiossincrasias da mente humana, vide o exemplo do ex-todo poderoso do FMI. A radicalização da democracia pressupõe a radicalização da ética, do amor fraterno, do aconchego, de sentimento de alegria por fazer parte do “seu circulo de amizade”, e te oferecer o meu. A radicalização da democracia parece ser a única forma de superarmos a própria democracia como limitador social e objeto de poder e parece ser o único e possível primeiro passo para sermos uma humanidade que fez algo além de encher o planeta de fezes e vazios florestais.
p.s. Newton nos deu toda a base de sustentação a partir do seu tempo. Não sou físico e quem sou eu para dar um tom de crítica ou menosprezo. Aqui apenas falo dos avanços e, sem a física newtoniana, não chegaríamos a tudo que temos hoje.
Pequena história de um planeta sem concordância
Era uma vez uma planeta chamado Terra onde não havia concordância entre seus habitantes e no entanto, a concordância verbal de suas declarações de guerra entre seus povos era quase impecável. O mesmo se dava em tratados de superioridade econômica onde um país impunha a outros países os preços que lhes interessavam aos seus produtos, mesmo que isso significasse a falência social de outros países, esses obviamente menos letrados economicamente. Essas eram verdadeiras peças literárias de imperialismo real.
Banqueiros corruptos, formados nas melhores universidades do planeta, e falando mais de três línguas, com suas respectivas concordâncias, contrataram advogados, contadores e economistas também formados nas melhores universidades do planeta para escreverem peças que não deixavam a menor margem de dúvida sobre a concordância dos clientes desses bancos em perderem dinheiro sem que por isso o banqueiro fosse preso.
Nas indústrias químicas, além de engenheiros químicos, foram contratados engenheiros agrônomos e profissionais da publicidade que foram pagos para criarem verdadeiras peças de engenharia linguística para convencer a todos que discordavam, que os novos produtos dessas indústrias químicas, o glifosato, utilizado para combater pragas na agricultura, eram concordantes com as necessidades da natureza. Peças publicitárias que, vamos concordar, quase falam da vida real, tamanha a capacidade linguística em convencer a todos a concordar com um novo mundo de transgênicos onde todos seriam felizes.
Em um país chamado Brasil, um dos seus maiores eruditos, mandou esquecer tudo que havia escrito, mandando às favas toda a concordância verbal e esmero literário gastos nos seus escritos que deveriam agora ser ignorados pelos ignorantes e letrados.
O esmero linguístico também foi fundamental em decretos que proibiram pessoas de falar, principalmente por escrito, e de ter opinião, coisa que só alguns, bem letrados e outros nem tanto mas que tinham o poder da palavra escrita, poderiam usufruir. A livre circulação de letras era um crime inafiançável.
Nesse país todos concordavam que a natureza deveria ser preservada, só discordavam de quando isso deveria acontecer. Nesses momentos, a concordância verbal foi fundamental para aprovar um Código Florestal que é uma peça de gênio, sobre como enganar a todos ao mesmo tempo e agora, embora muitos tenham discordado. Os que não se deixaram enganar concordavam que aquilo, o Código Florestal, era uma afronta a qualquer inteligência mínima, e não precisava de tanta concordância verbal para fazer aquele papelão. Concordavam também que os que fizeram o Código Florestal, tal como foi aprovado, tinham concordado verbalmente entre si que árvore boa é árvore morta, mas que ninguém os ouvisse concordando tão baixo assim.
Assim, confirmando todas as previsões científicas e esotéricas que previam grandes catástrofes ambientais, com violentos tremores de terra, furacões e tsunamis, o grande dia chegou, e uma conjunção desses fenômenos que aparentemente concordaram em acontecer ao mesmo tempo, um vulcão cuspiu larvas, depois de um enorme terremoto, que produziu um enorme tsunami com ondas gigantescas que levaram oito horas para atravessar o oceano atlântico e varrer toda a América do norte, central e a costa nordeste e leste do Brasil, depois de ter derretido toda Europa, Japão e China. O que veio a seguir foi o caos total e completo sem chance de concordâncias misericordiosas.
E hoje, sabemos desse fato eco-verbal catastrófico, porque achamos uma carta, e todos hão de concordar que será a Bíblia dos novos tempos, escrita a lápis de nome Faber Casttel, por um agricultor do interior de país chamado Brasil, onde a catástrofe não chegou a alcançar. Diz a carta:
….só restou mermo as nossa casa, aqui ondi nós tá agora e os rio e a rocinha que grassas a deus dá de nós dá de comer pros filho e a criaçãozinha que resto de nós tudo.
mas otro dia fazendo a capina dei de cara com um jornalzinho desses lá da cidade e vi que tava uma discussão pra lá de meio metro sobre como a gente fala direito. E ninguém concordava ninguém e cada um puxava o acento pra sua letrinha. De minha parte grassas a deus eu só tenho mermo que agradecer nos todo de tar vivo, ter a rocinha e as criação porque a noticia que chega todo dia pelo Raimundo leitero é que num sobro nada e ninguém e ele já tá pensando em como vai fazer pra vender os leite dele. Nós então tamos discutimos de nos se reunir e começar a pensar como fazer para continua as iscola, os hospital e não deixar as crianssa desamparada. Porqui hoje nós tudo percebe como foi de muito importante eu ter ido a iscola e aprendido a escrever essas linhas que se alguém ler, vai ser de sinal que num tamo sozinho. E eu agradeço muito a deus do séu de poder hoje ter os rio e a criassão que dá de nós sustentar tudo e ainda poder escrever uma cartinha pra alguém que se por um casu receber vai saber que nós sobremos e nos ajudá. Porque começar tudo de novo vai ser um trabalho enorme de grande. Mas se deus quer assim, eu só posso agradecer a confiança ni mim depositada.
seu criado
Começa o BlogProgRS
Começa o Encontro de blogueiros e twitteiros do RS. Na abertura o representante do Governo do RS Luciano Ribas, representando a Secretária de Comunicação Vera Spolidoro, expressou o engajamento do governo gaúcho com a idéia que comunicação como direito humano e cidadania. E o compromisso de criar políticas públicas para que a informação tenha uma pista de livre circulação, acenando com a possibilidade de projetos oficiais de aumento do acesso à banda larga e o projeto um computador por aluno na rede escolar estadual.
Na seqüência, Marcelo Branco fez um histórico do avanço tecnológico e de conteúdo da internet, conceituando conteúdos e posicionamentos tanto da sociedade quanto dos que hoje efetivamente controlam a internet.
O BlogProgRs começou bem e indica um encontro que promete no final de semana.
PJotianos, uní-vos
Por Marco Aurélio Weissheimer, via RSUrgente
Reproduzo post do RSUrgente, sobre importante demarcação jurídica. Massa trabalhadora empresarial, uní-vos.
Trabalhador forçado a abrir empresa para prestar serviços tem vínculo empregatício reconhecido
A notícia abaixo, publicada pelo Portal Nacional do Direito do Trabalho, interessa especialmente aos jornalistas que são forçados a abrir uma empresa e assinar um contrato de prestação de serviços com a empresa de comunicação onde trabalha. Se todos os jornalistas que trabalham nestas condições seguirem o exemplo da jornalista mencionada na matéria, as empresas serão obrigadas a rever essa prática:
Algumas empresas, visando cada vez mais ao lucro e à redução de custos, vêm se valendo de uma prática já bastante conhecida pela Justiça do Trabalho, a chamada pejotização. Por meio desse expediente, o trabalhador é obrigado a constituir uma pessoa jurídica e, assinando um contrato de prestação de serviços, passa a trabalhar para a empresa, na realidade, como empregado, mas, formalmente, como prestador de serviços autônomo. Dessa forma, a contratante se beneficia da mão-de-obra contratada, sem ter que arcar com os encargos trabalhistas e previdenciários.
Esses casos já estão chegando ao Tribunal Superior do Trabalho, que, recentemente, analisou o processo de uma famosa jornalista, que trabalhou, por quase doze anos, em uma grande emissora de televisão, na forma de sucessivos contratos de locação de serviços, em que a profissional fornecia a própria mão-de-obra. O Regional reconheceu a fraude e declarou a relação de emprego, o que foi confirmado pelo TST. A Justiça do Trabalho Mineira também tem julgado reclamações envolvendo a pejotizaçao. Na 7a Vara do Trabalho de Belo Horizonte, a juíza substituta Thaísa Santana Souza constatou a existência de fraude na contratação de um trabalhador, por meio da firma que ele constituiu.
O reclamante pediu o reconhecimento do vínculo de emprego com a reclamada, uma empresa de software e consultoria, alegando que sempre trabalhou de forma pessoal, não eventual, onerosa e subordinada, embora tenha sido imposto a ele, como condição para a contratação, constituir pessoa jurídica, com a qual a empresa firmou contrato de prestação de serviços. A ré, por sua vez, negou a relação de emprego, sustentando a legitimidade do contrato celebrado com a pessoa jurídica do trabalhador, que tinha como objeto a elaboração de projetos de informática e implantação de sistemas, tudo para atender a um banco cliente.
Conforme esclareceu a julgadora, cabia à reclamada comprovar que a relação entre as partes não era de emprego, pois, no Direito do Trabalho, prevalece a presunção de que a prestação de serviços se deu na forma prevista nos artigos 2o e 3o da CLT. Mas a empresa não conseguiu demonstrar a sua tese. Por outro lado, as testemunhas ouvidas a pedido do trabalhador declararam, firmemente, que o reclamante atuava, na verdade, como gerente comercial da reclamada, podendo admitir ou dispensar empregados. Ele trabalhava dentro do estabelecimento da ré, que lhe fornecia material e os meios para a prestação de serviços, não podendo se fazer substituir por outra pessoa. Era subordinado aos diretores da empresa, que controlavam o seu horário e impunham-lhe metas. Além disso, as testemunhas garantiram que em todas as funções exercidas na reclamada, com exceção dos serviços de limpeza, havia trabalhadores contratados por meio das firmas que eram obrigados a constituir.
Também restou provado que a reclamada contratava outros empregados com CTPS assinada, conforme exigência dos clientes, o que evidencia a fraude perpetrada, já que a anotação em CTPS e a regularização da relação de emprego decorrem de norma imperativa, não podendo depender seu reconhecimento pelo empregador da mera exigência de clientes, que não coadunam com esse procedimento irregular, enfatizou a magistrada. O Ministério Público do Trabalho instaurou inquérito civil, para apuração de irregularidades na conduta da empresa, exatamente por esses fatos discutidos no processo, o que, na visão da julgadora, só reforça as declarações das testemunhas.
Para a juíza, ficou claro que a reclamada fraudou direitos trabalhistas, por manter verdadeiros empregados, incluindo o reclamante, exercendo sobre eles o seu poder diretivo, mas sem proporcionar a esses mesmos trabalhadores as condições previstas na CLT. Assim, a julgadora declarou a nulidade do contrato de prestação de serviços firmado entre o reclamante e a reclamada, reconhecendo a relação de entre as partes, no período de 01.10.02 a 19.02.07, com a projeção do aviso prévio. A empresa foi condenada a anotar a carteira do empregado e a pagar as parcelas trabalhistas decorrentes do reconhecimento do vínculo. A reclamada apresentou recurso, mas a sentença foi mantida pelo TRT de Minas.
Interessante post sobre o livro do “Os peixe”
Jornalistas com deficit de letramento
Por Weden via Brasilianas.org
Diz o dito popular que médicos enterram seus erros. E os jornalistas os repercutem.
A falta de atenção e capacidade de compreensão do que diz o livro didático Por uma Vida Melhor, da editora Global, é indicativo de deficit de letramento entre jornalistas. Junte-se a problemas de leitura, interesses mercadológicos, ignorância científica, leviandade intelectual e oportunismo político.
São inúmeros os sintomas do deficit de letramento. Entre eles, dificuldade de relacionar textos (problemas com a intertextualidade), desatenção ao cotexto em que aparecem as sentenças e incapacidade de associar o texto ao contexto de enunciação – para não falar nas posições discursivas, mas isso é outra história.
O problema não é só encontrado no ensino básico. É comum que o deficit de letramento seja detectado também em outros níveis de escolaridade, mesmo entre aqueles que, em suas profissões, fazem largo uso da leitura e da escrita.
Linguistas já chamaram a atenção para o fato de que se estes jornalistas fossem submetidos ao PISA seriam reprovados.
Aqui a lista de jornalistas e intelectuais que precisam aprimorar sua leitura.
No caso deles, talvez não seja difícil.
Clóvis Rossi (Folha de SP): atribuiu aos autores do livro “crimes linguisticos” e “argumentos delinquenciais”. Fundamentou seus ataques a uma pequena passagem do livro. O capítulo não era tão grande para ele se abster da leitura. Uma das marcas do deficit de letramento é a incapacidade de fazer correlações cotextuais. Interpretou “demonstração linguistica” com “pregação linguística”, o que não cabe a este ramo do saber.
Flávia Salme (IG): levou a escolas sua leitura equivocada do livro. Induziu alunos a se pronunciarem contra. No seu texto, confunde modalidade e registro com normas.
William Waack (Rede Globo): iniciou o programa Painel, da GloboNews, perguntando se é “certo ensinar errado”. Tímido com a explicação de Maria Alice Setubal, professora convidada, pergunta :”Embarcamos numa furada?”. Ela responde: “sim”. Nem Afonso Romano o apoiou.
Mônica Waldvogel (Globo): a reportagem de abertura do programa Entre Aspas, por meio de um recorte descontextualizado do livro, induz os entrevistados a condenarem a obra, os autores e o MEC. Cala-se diante das intervenções de Cristóvão Tezza e Marcelino Freitas.
Jornalista do jornal O Globo (vários): as reportagens sobre o livro didático foram assinadas por vários jornalistas. Todos insistiram na tese – não confirmada – de que o livro contém “erros grosseiros de português”.
Augusto Nunes (Veja): perseguiu a professora Heloísa Ramos, durante dias. A professora é consultora da revista Nova Escola, da própria Abril, a que serve o jornalista.
Reinaldo Azevedo (Veja): a partir de trechos soltos, confundiu demonstração linguistica com pregação política. Partidarizou o que é consenso no campo da linguistica internacional.
Merval Pereira (Globo): fez afirmações fora do escopo da obra: “o Ministério da Educação está estimulando os alunos brasileiros a cultivarem seus erros”. Não há passagem clara neste sentido no livro.
Carlos Alberto Sardenberg (Globo): chegou a afirmar que o livro defende o modo de falar do ex-presidente Lula. Não leu o livro.
A mea-culpa da Folha de São Paulo, no editorial “Os livro”, não foi acompanhada do necessário pedido de desculpas aos autores da obra. A seu favor, deve-se frisar que o jornal publicou dois artigos que mostram que nem todos deixaram de se ater à obra para comentá-la. Ressalte-se aqui a honestidade intelectual de Hélio Schwartsman e de Thais Nicoleti de Camargo.
Quem mais criticou sem ler?
Marcos Vilaça (Presidente da Academia Brasileira de Letras). Caso gravíssimo. O presidente da instiuição responsável pela memória das letras no país sequer teve o cuidado de consultar a obra. Acreditou no que foi levado pelos jornalistas. Desacreditou a instituição.
Ruy Castro (Escritor). Ele não leu o livro e se indignou com o que não havia sido escrito na obra. O escritor vive da leitura de livros. Mas ele mesmo não deu o exemplo.
Evanildo Bechara (Gramático). Cometeu o erro mais grave de sua carreira acadêmica. Criticou autores sem ter lido o livro. Um gramático não pode desconhecer a necessidade de ler para emitir juízos.
Edgar Flexa Ribeiro (Educador). Ele também não leu o livro e emitiu opinião a partir de trechos descontextualizados. Envolvido com educação, deu um passo em falso e será cobrado por isso.
Cristóvão Buarque (Senador). Sem ler o livro, diz que a obra pode prejudicar alunos. Este é um caso bastante sintomático. Como sua bandeira é a Educação, poderia ter sido mais cuidadoso ou pelo menos ter lido o capítulo em que aparecem as citações da imprensa. Sem fundamentação na realidade do que estava escrito no livro, declarou: “Existe um risco de se criar duas formas de falar o português” (existem várias formas de falar português, até porque toda língua é constituída por dialetos, como fica claro nas diferenças entre o Português Europeu e o Português Brasileiro); “os estudantes da rede pública, ao adotar erros de concordância verbal como regra, não terão a menor chance de passar em um concurso” (o livro em nenhum momento diz isso); “Tem que se ter em mente uma questão fundamental: sotaque e regionalismos são uma coisa, a língua portuguesa é outra” (esta diferença é absurda do ponto de vista das ciências linguísticas”).
Todos os personagens acima devem desculpas à professora Heloísa Ramos e à ONG Ação Educativa. Eles se deixaram levar pela cobertura da imprensa. Pode-se desculpá-los por isso, mas é bom que reflitam.
Considero que estamos diante de um novo caso Escola Base, e todos que não se retratarem terão ajudado a constituir um novo crime de imprensa.
A professora Heloísa Cerri Ramos foi atacada pelos blogs da Veja, que tentaram ridicularizá-la. Já a Ação Educativa, com 15 anos de existência, e inúmeros projetos de pesquisa no campo da educação*, além de ações como pontos de leitura, também foi caluniada sem direito á resposta.
Todos estes jornalistas e intelectuais citados apresentaram problemas graves de letramento. Recomenda-se que repensem o que disseram e tenham a humildade de consultar o capítulo, antes de emitir novas opiniões.
Além disso, um pedido de desculpas não faz mal a ninguém.
A educação brasileira agradece.
______
* A ONG é responsável, junto com o Instituto Paulo Montenegro, pelo Indicador Nacional de Alfabetismo Funcional, pesquisa de acompanhamento permanente.
Diante dos problemas com os jornalistas, as estatísticas devem ter piorado.
É hoje: www.gabinetedigital.rs.gov.br/
Hoje é um dia que marca a entrada do governo do RS no campo da relação digital com a sociedade gaúcha. Ao lançar o gabinete digital, o governo avança em um dos principais campos de aproximação com a sociedade e estabelece um marco para a democratização e participação popular nas demandas junto ao governo. Aguardemos, mas saudemos esse passo importante que pode recolocar o RS na contemporaneidade das plataformas sociais, inaugurada com o Fórum Social Mundial e agora retomada com ações do governo do RS.
A partir da 17 horas de hoje, 24 de maio de 2011, acompanhe ao vivo em http://www.gabinetedigital.rs.gov.br/ e participe desse dia que pode ser histórico para o campo das relações sócio-digitais.
Azenha abre o debate da política na blogosfera
Se o texto de FHC procura alertar as forças de centro-direita para a mudança de palco do debate político, apontando a importância das redes sociais e sua forte entrada nas classe sociais e a entrada destas no debate, com novas adesões resultantes da nova economia do país, serve também para a blogosfera analisar o papel a desempenhar nesse debate.
Azenha evidencia um dos pontos principais no texto de FHC que é alertar que o debate nas redes acontece não apenas no período das eleições, antes pelo contrário, se dá exatamente no fluxo administrativo dos governos, onde a política real se concretiza no dia a dia. É esse debate que não está sendo travado e quando chegam as eleições sucumbe a uma pauta pobre cujo único objetivo é vencer o jogo eleitoral. O contraditório, para a esquerda, está no fato de que são essas forças políticas, militantes na blogosfera que dão o respaldo quando o jogo chega na marca do pênalti, como bem coloca Rodrigo Viana, relembrando o debate de abertura do segundo turno, quando Dilma partiu para cima de Serra e o encurralou, se valendo de todas as questões que estavam sendo debatidas e autopsiadas na blogosfera. Todas as informações contidas no ataque fulminante de Dilma no debate, vieram da blogosfera. O fenômeno se repete agora já no governo, com o chefe da Casa Civil colocando a mão na bola e pedindo ao juiz para não ver o pênalti. De um lado a base social berrando o óbvio, de outro, o governo fingindo que não ouve. Tudo bem que FHC está desesperado tentando salvar o que resta do PSDB e apontando caminhos, todos inevitavelmente pela direita, mas se até ele se deu ao trabalho de externar, o que acontece em Brasília? Seria a Síndrome da Carta aos Brasileiros? – Sempre achei e continuo achando que não foi a Carta que elegeu Lula. Foi sim, um dos ingredientes mas na receita a dose de base social construída há pelo menos duas décadas foi também fundamental. A base popular+Lula palatável+aproximacão com os miseráveis que já não aguentavam Plano real e FHC, elegeram Lula na primeira vez e na segundo sabemos como foi.
Existem dois grandes desafios para a blogosfera. Concretizar sua força virtual, no dia a dia do embate da política real, ultrapassando o limite convocatório e panfletário. A análise política tem que ser reforçada pela informação adensada e causadora do debate, pautando a sociedade. Esse é um caminho para entrar no tabuleiro do jogo político. A complementação também desafiadora é avançar os limites físicos da própria blogosfera encontrado formatos onde possamos realmente exercer a livre circulação de informações. Nunca estivemos tão perto disso. Nunca houve um conjunto de fatores tão positivos para esse sentido. Governo federal, governos estaduais e prefeituras onde as forças de esquerda, em coalizão ou não, são majoritárias e representantes do projeto político vencedor até agora na política nacional. Mas esses também têm que ser encurralados pela blogosfera. A livre circulação da informação não vai acontecer sem muito suor e pressão de final de jogo de campeonato.
FHC, o Facebook e a “coalizão de vontades”
por Luiz Carlos Azenha
Quando o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso escreveu um artigo sugerindo rumos para a oposição ao governo Dilma, na revista Interesse Nacional, reproduzido aqui, a mídia corporativa, que obedece primariamente ao princípio da espetacularização comercial da notícia, pinçou uma frase do texto, em que FHC supostamente desprezava o povão, para gerar um debate que perdurou alguns dias na blogosfera.
Porém, como já notou o Gilberto Maringoni de Oliveira, aqui, há mais substância no texto que uma leitura rápida sugere.
Recorto alguns parágrafos:
“Sendo assim, dirão os céticos, as oposições estão perdidas, pois não atingem a maioria. Só que a realidade não é bem essa. Existe toda uma gama de classes médias, de novas classes possuidoras (empresários de novo tipo e mais jovens), de profissionais das atividades contemporâneas ligadas à TI (tecnologia da informação) e ao entretenimento, aos novos serviços espalhados pelo Brasil afora, às quais se soma o que vem sendo chamado sem muita precisão de “classe C” ou de nova classe média.
Digo imprecisamente porque a definição de classe social não se limita às categorias de renda (a elas se somam educação, redes sociais de conexão, prestígio social, etc.), mas não para negar a extensão e a importância do fenômeno. Pois bem, a imensa maioria destes grupos – sem excluir as camadas de trabalhadores urbanos já integrados ao mercado capitalista – está ausente do jogo político-partidário, mas não desconectada das redes de internet, Facebook, YouTube, Twitter, etc.
É a estes que as oposições devem dirigir suas mensagens prioritariamente, sobretudo no período entre as eleições, quando os partidos falam para si mesmo, no Congresso e nos governos. Se houver ousadia, os partidos de oposição podem organizar-se pelos meios eletrônicos, dando vida não a diretórios burocráticos, mas a debates verdadeiros sobre os temas de interesse dessas camadas”.
Infelizmente, talvez por conta de sua posição na hierarquia partidária, FHC não avançou na questão-chave, que o obrigaria a admitir o fracasso da direção do PSDB — e sua política de conchavos de bastidores, que exclui a grande maioria dos brasileiros, muitos dos quais votaram em José Serra em 2010: o uso das redes sociais para fazer política cotidiana tem como força motriz básica o descompasso entre os partidos políticos em particular e as instituições em geral e as demandas dos eleitores, filiados ou não.
Esse descompasso só se torna mais agudo por uma particularidade das redes sociais: elas aceleram o chamado “processo político”, enquanto a resposta às demandas se dá nos passos jurássicos da burocracia estatal, em todas as esferas.
Um exemplo particular tivemos no já famoso caso da estação de Metrô de Higienópolis: um único internauta, aparentemente insatisfeito com uma decisão tomada a partir do lobby de uma associação de moradores do bairro, sem considerar os interesses do conjunto da cidade de São Paulo, conseguiu arregimentar mais de 50 mil pessoas em um protesto virtual que, em seguida,se materializou de forma autônoma e apartidária nas ruas. Por ironia, aqueles profissionais de “tecnologias de informação” aos quais se referiu FHC muito provavelmente se juntariam à manifestação do Higienópolis, contra a política pouco transparente do Metrô de São Paulo na definição dos locais em que implanta estações.
Como troca horizontal, de várias mãos de direção, entre iguais, “transparência” é um dado essencial na blogosfera e nas redes sociais.
Como notou o blogueiro Eduardo Guimarães, aqui, os colunistas de jornal que foram ao protesto miraram no particular (a suposta falta do “povão” na manifestação) e perderam o essencial: as redes sociais são muito eficazes para promover o que eu chamaria de “coalizão de vontades”. Não estive no protesto de Higienópolis, mas me arriscaria a dizer, a partir de relatos que vi e ouvi, que ele foi importante por demonstrar que há um número crescente de eleitores que exigem participar da definição de políticas públicas.
Foi uma coalizão de vontades que derrubou o governo do Egito, em manifestações que ganharam força depois que um blogueiro chorou numa entrevista de televisão, conforme noticiamos aqui.
O que me leva ao próximo ponto: diferentemente dos jornais e das revistas, que são meios frios, do intelecto, a blogosfera, tanto quanto a televisão, é um meio “quente”, que combina o emocional com o intelectual.
Daí o sucesso, por exemplo, do discurso da professora do Rio Grande do Norte, que protestou contra as condições da educação em seu estado, que reproduzimos aqui. No vídeo da professora, a apresentação enfática acrescentou força à argumentação.
E a mensagem dela nunca sairia do Rio Grande do Norte não fosse a existência do You Tube: no tempo do Assis Chateaubriand, a professora jamais opinaria, por não ter dinheiro para comprar uma câmera, por não ter acesso a uma rede de televisão, por não ser uma “especialista” eleita por jornalistas.
Já escrevi, anteriormente, que o fenômeno das redes sociais está provocando uma revolução dos chamados “formadores de opinião”.
Isso se dá, em parte, pela dinâmica das redes sociais: os antigos “leitores” agora também são “produtores de conteúdo”; e, como digo sempre, são polinizadores. Distribuem os textos que julgam interessantes para os amigos, via twitter, orkut, facebook — a perder de vista.
Uma pergunta simples: você compraria um carro recomendado por um amigo ou por um estranho, com o qual não tem qualquer relação pessoal?
De outra parte, se dá também pelo caráter muito particular dos meios impressos:
1. Eles não contemplam a interação, são vias de mão única, são frios (na padaria, lendo o jornal, você já conseguiu obter uma resposta do colunista questionado por você?), pressupõe hierarquia entre autor e leitor.
2. A mídia corporativa, com seus múltiplos interesses econômicos, tende ao discurso “unitário”, centralizado, vertical, controlado do topo, distante da cacofonia da blogosfera e das redes sociais.
Mesmo que pontualmente, eu não concordo com 99% dos posts que reproduzo neste site. Nem, necessariamente, com os comentaristas. Mas posso citar dezenas de textos e livros e vídeos e documentários que li e vi a partir dos comentários. Ou seja, aprendi com os comentaristas. Quando muito, sou um mero administrador da “coalizão de vontades” dos frequentadores do site, como são muitos de meus colegas, do Luis Nassif (um pioneiro) ao Eduardo Guimarães, da Maria Frô ao Altamiro Borges, do Rodrigo Vianna ao Marco Aurélio Mello, do Paulo Henrique Amorim ao Idelber Avelar, do Rovai ao Marco Aurélio Weissheimer (com desculpas antecipadas aos não citados).
Essas coalizões não são formadas por néscios: nossos leitores são médicos, operários, engenheiros, sindicalistas, advogados, professores. Tem o Zé Povinho, o Stanley Burburinho, a Carmen Leporace. Não discriminamos por classe social, por conhecimento de gramática, por nickname.
As coalizões de vontades, como temos visto na Espanha, não respondem a uma liderança centralizada: elas são representativas de demandas amplas, sufocadas por instituições que não respondem ou foram corrompidas por colocar interesses privados acima do interesse público.
Alias, é preciso enfatizar que a blogosfera e as redes sociais, em si, não são revolucionárias. São apenas instrumentos. Os protestos no Egito e na Espanha jamais atingiriam as dimensões que atingiram se não existissem demandas sociais não atendidas institucionalmente.
Felizmente, para a oposição, o governo Dilma parece não ter compreendido essa dinâmica.
Pelo contrário. Independentemente do mérito da decisão, a forma abrupta como o Ministério da Cultura retirou de seu site o símbolo do Creative Commons — uma decisão, repito, banal — teve o dom de afastar do governo algumas centenas de militantes virtuais que, com seu conhecimento das redes sociais, eram responsáveis pela reprodução e multiplicação de textos, fotos, vídeos e notícias de apoio às políticas públicas do novo governo.
Faltou, ao governo Dilma, a capacidade de entender que o Creative Commons é — ainda que alguns digam tratar-se de ferramenta do “imperialismo” — resultado e ferramenta de uma “construção coletiva” do que poderíamos chamar de “nova política”: horizontal, multifacetada, compartilhada. Se o objetivo era detoná-lo do site do Ministério da Cultura, que pelo menos isso fosse feito a partir de um debate e de forma transparente, não como decisão hierárquica, unilateral, de “força”, de cima para baixo.
Ah, a soberba…
[Leia aqui uma didática entrevista com o Sergio Amadeu, que é do ramo]
Por outro lado, se FHC teve a capacidade de perceber, em seu artigo, que nos períodos não eleitorais há gente disposta a fazer política nas redes sociais, é possível que um governador do PT, Tarso Genro, no Rio Grande do Sul, se torne o primeiro a “institucionalizar” a dimensão política das redes sociais, com a criação de um gabinete digital a partir da próxima semana. Só vendo no ar para saber se, de fato, haverá interação entre os eleitores e o Poder Público.
Como enfatizei acima, a característica central da blogosfera é ser, sempre, uma via de várias mãos.
Integrar as redes sociais à política requer, com certeza, uma nova forma de fazer política. Assim como requer, dos jornalistas, uma nova postura diante de leitores, ouvintes e telespectadores. Mas isso eu pretendo explorar melhor nas palestras que farei na próxima quarta-feira em Salvador e, em seguida, no Encontro de Blogueir@s e Tuiteir@s Gaúchos, em Porto Alegre.
Amazônia: qual o código da nossa esquerda?
Queimada em floresta na BR-364/Acre/1995 – Foto: Carlos Carvalho
De Gilson Caroni Filho na Carta Maior
Será o Código Florestal a prova dos nove para o habitual transformismo que, vez por outra, visita forças do campo progressista? É hora de a esquerda se livrar do imaginário herdado do padrão fordista e incorporar a luta pela preservação natural ao seu horizonte político.
Gilson Caroni Filho
Equilíbrio ambiental e desenvolvimento sustentável são elementos indispensáveis para o futuro do país. Exigem do movimento ecológico uma reformulação radical que o torne matriz de uma nova esquerda. A Amazônia é um exemplo. Seu desmatamento é obra conjunta de latifundiários, grandes empresários e empresas mineradoras.
São os inimigos a serem confrontados prontamente. Será o Código Florestal a prova dos nove para o habitual transformismo que, vez por outra, visita forças do campo progressista? Ou talvez a inflexão de fundo seja de maior envergadura. É hora de a própria esquerda se livrar do imaginário herdado do padrão fordista e incorporar a luta pela preservação natural ao seu horizonte político. Fora disso, a palavra progressista torna-se um vocábulo vazio. Um atributo discutível para quem luta no campo democrático-popular. O ciclo da destruição das nossas florestas é sobejamente conhecido
Desde a década de 1960, a grilagem vem sendo ampliada por intervenções como o estímulo à mineração e à expansão da pecuária e da lavoura monoculturista, a abertura ou o asfaltamento de estradas e outros projetos ditos de “povoamento” e, como agora, no caso de projetos de hidrelétricas do Rio Madeira, “desenvolvimento”. E isso desde o simples anúncio, quando tais iniciativas ainda estão no papel.
Todos nós já vimos tramas semelhantes em filmes de faroeste, em que os robber barons tratam de se apossar, por quaisquer meios, das terras por onde vai passar a ferrovia ou ser feita a represa.
Uma vez estabelecida a ocupação, tem início a retirada da madeira de maior valor comercial, destinada às carvoarias e às indústrias moveleira e de construção civil, etapa que pode levar várias estações de corte. Exauridos tais recursos, segue-se a “limpeza” da área, por meio de corte raso e queimada, e o preparo da terra para pastagem.
Quando a extração de madeira se esgota, entra o gado, tipicamente de corte. Em algum momento, a posse é esquentada por títulos falsificados de propriedade que, exatamente por serem falsos, e porque os registros e fiscalização são precários, geralmente não aparecem nas estatísticas oficiais, em que as áreas griladas continuam figurando como terras da União.
Ironicamente, essas “propriedades” serão usadas como garantia para a obtenção de empréstimos e financiamentos junto a bancos, tanto privados como oficiais, e a agências de fomento.
A substituição do gado pela soja ou por outras lavouras extensivas é determinada, mais que por qualquer outro fator, pela demanda por essas commodities e por seus preços relativos nos mercados internacionais, sobre os quais o Brasil não tem qualquer controle: são buyer markets, mercados de compradores. No caso da soja, vale lembrar que há sinergia com a pecuária, já que parte significativa da colheita vai para a produção de farelo empregado em rações animais.
Além disso, o ciclo se expande continuamente. Pois, enquanto a lavoura está entrando numa área, os grileiros e as motosserras estão abrindo novas “frentes de ocupação” em outra, para a qual o gado por sua vez se expandirá ou mesmo deslocará, pois é muito mais fácil deslocar reses do que vegetais.
Se deixada ao sabor do mercado, a floresta de ontem se converte no polo madeireiro de hoje, no pasto de amanhã, na lavoura extensiva de depois de amanhã e, em última instância, em deserto.
O solo característico da Floresta Amazônica, embora rico em elementos não orgânicos como ferro e alumínio, é extremamente pobre em nutrientes, e por si só jamais seria capaz de sustentar florestas. E, no entanto, a floresta está lá. Como? O que sustenta a floresta em pé é a própria floresta.
A decomposição dos detritos vegetais e animais depositados pela própria floresta sobre seu solo forma a “terra preta de índio”, um fino tapete rico em húmus, e são os microorganismos aí presentes que produzem os nutrientes de que as árvores se alimentam.
Quando a cobertura florestal é removida, o ciclo se rompe. Pois a camada de “terra preta” é superficial e, sem a floresta para de um lado renovar os componentes orgânicos e de outro segurá-los, é rapidamente degradada. Até mesmo pela chuva, que nessas condições, sem a floresta para proteger o solo do impacto direto, carrega a terra para as barrancas dos rios acelerando a erosão.
Uma vez derrubada, portanto, a floresta não se recompõe. Disso sabe, ou deveria saber, o deputado Aldo Rebelo. O campo progressista não comporta alianças com forças antagônicas à sua história de combatividade, coerência e superação. Estamos vivendo um debate decisivo para a agenda que a esquerda pretende propor. O fio da navalha onde tudo perde a cor, e dificilmente se refaz, reaparece no cenário político. Como nas florestas degradadas.
Gilson Caroni Filho é professor de Sociologia das Faculdades Integradas Hélio Alonso (Facha), no Rio de Janeiro, colunista da Carta Maior e colaborador do Jornal do Brasil
As escolas itinerantes do MST – Parte 1
Escola do Acampamento Oziel Alves Pereira - Município de Abelardo Luz(SC) – Foto: Carlos Carvalho/1997
Logo depois da marcha à Brasília em 1996, propus à direção nacional do MST um projeto de documentação fotográfica que criasse um banco de imagens que pudesse servir de instrumento para o debate político que o movimento travava especialmente com o governo FHC. Era preciso mostrar, mais do falar, o que acontecia na terra depois que ela era ocupada pelo MST. Entre 1997 e 2000 percorri cerca de 80 assentamentos e acampamento do Rio Grande do Sul à Paraíba. Propus na época que a educação do MST entrasse no projeto, mas particularmente eu não tinha noção do que já acontecia dentro dos assentamentos e dos acampamentos. Quando comecei a entrar nas áreas, vi a importância do projeto educacional e esse tema cresceu dentro do projeto. E uma das faces mais importantes eram as escolas itinerantes que, naquela época, já tinham convencido o então governo do estado a importância e seriedade dessas escolas, a ponto da secretaria estadual de educação reconhecer o conteúdo e a metodologia e aceitar matricular as crianças acampadas em uma escola base, para todos os acampamentos, embora as crianças permanecessem nos acampamentos espalhados pelo estado. As escolas itinerantes sofreram uma intervenção do governo Yeda, sendo fechadas e criminalizadas e o prejuízo é tão alto como a ignorância dos que fecharam as escolas.
Reproduzo a seguir em três capítulos, o trabalho feito na época, com textos e fotos para subsidiar a importância da retomada das escolas itinerantes por parte do novo governo do Estado.
A educação no assentamentos do MST (Texto realizado a partir de texto anterior de autoria de Roseli Salte Caldart e Bernardete Shwaab, extraído do livro “Assentamentos – A resposta econômica da Reforma Agrária” de 1991).
A educação de crianças jovens e adultos assentados do MST, ganhou dimensão e importância estratégica dentro do movimento e abarca questões que vão da pressão para reconhecimento e criação de escolas dentro de assentamentos e acampamentos até a disputa pela direção política e pedagógica do processo educativo local, incluindo aí a preparação dos próprios trabalhadores rurais para exercerem tarefas como professores e monitores.
A organização e a luta de pais e professores nos acampamentos e assentamentos para garantir o acesso à escola enfrentou problemas para se firmar como um enfrentamento estratégico. Geralmente, a radicalidade da disputa pela terra e a gravíssima situação de miséria acabava relegando a educação a segundo plano. A situação foi mudando à medida que a luta pela terra ampliou-se para uma luta por cidadania que também incluiu o direito à escola e à educação. Os teóricos do movimento deixam claro que há uma relação direta entre a evolução da luta pela terra e as reivindicações no setor de educação, assim como o processo educativo não é visto apenas como instrumento para fixação do trabalhador ao campo.
É importante ressaltar que a escola que nasce neste contexto é radicalmente diferente das escolas formais pois está identificada com a organização que a reivindicou e com a necessidade de viabilizar economicamente as pequenas propriedades rurais. Muitas dessas unidades educacionais instaladas em assentamentos são resultado da recuperação de escolas públicas desativas e acabam atendendo uma demanda reprimida de filhos de pequenos proprietários ou assalariados rurais que moram na vizinhança. Dessa forma, as escolas são um elemento de integração do assentamento com a comunidade ajudando a romper o isolamento e o preconceito enfrentado logo no início da instalação dos projetos de reforma agrária.
A escola no acampamento
A história da educação no MST começa nos primeiros acampamentos onde o problema era orientar e entreter minimamente as crianças que enfrentavam uma situação bastante diferente. Já na primeira ocupação dos Sem Terra feita em 1979 nas fazendas Macali e Brilhante, Ronda Alta, RS, onde havia mais de 200 crianças foram organizadas atividades de recreação. A idéia de organizar uma escola provisória não era aceita por todos já que havia quem pensasse que atrapalharia a mobilidade dos acampados.
No acampamento da Fazenda Annoni (1985), já eram 650 crianças entre 7 e 14 anos que precisavam de alguma alternativa sob pena de acabarem forçando uma saída do acampamento para buscar escolas. A perspectiva de desapropriação da área para assentamento também ajudou a acabar com a resistência já que a escola já estaria em andamento quando viesse a desapropriação.
Foram reunidos então todos os professores ou acampados que haviam cursado o primeiro grau para formar um embrião do que seria a equipe de educação. Depois de organizado o trabalho, a briga foi pelo reconhecimento e apoio governamental à escola da Annoni que foi a primeira escola oficial em um acampamento do MST em1987.
A evolução da luta permitiu que em 1997 o MST conseguisse no estado do Rio Grande do Sul o reconhecimento oficial de uma escola itinerante que acompanha o deslocamento dos acampados. A Escola Nova Sociedade no Assentamento Itapuí, município de Nova Santa Rita, é a sede da escola itinerante e a responsável pela progressão curricular das crianças do estado. A grande vantagem é que ao serem assentadas, as crianças podem ingressar nas escolas regulares aproveitando os conteúdos estudados nos acampamentos.
A presença de crianças em acampamentos sempre foi motivo de críticas e não faltaram acusações ao MST por expor menores a situações de risco de vida como forma de sensibilizar a opinião pública. É fato que as ocupações e despejos acontecem em situações de grande risco e a permanência nas barracas de lona é muito prejudicial à saúde. Levar as crianças é antes de tudo uma não-opção dos pais já que a alternativa seria abandoná-las ou, na melhor das hipóteses, entregá-las aos cuidados de algum familiar por tempo indeterminado já que alguns acampamentos duram mais de dois anos. Período este em que as famílias tem pouca mobilidade para viagens por não disporem de dinheiro o que inviabiliza a idéia de visitas freqüentes. A situação se torna dramática porque uma das condições para integrar o cadastro para receber terra é não abandonar o acampamento. Geralmente, no início os homens vão sozinhos deixando a mulher e os filhos em casa. A medida que o tempo passa, a situação se agrava e a distância da família põe em risco a permanência no acampamento. É justamente neste momento em que as mulheres pegam as crianças e se juntam aos maridos acampados.
O Setor
Preferencialmente, os professores que trabalham nas escolas dos acampamentos e assentamentos são pessoas formadas pelo próprio MST ou comprometidas com a reforma agrária e pagas por programas de repasse de verba dos governos estaduais ou municipais. As experiências com profissionais não ligados ao problema da terra não tem sido bem sucedidas pois a própria situação de conflito enfrentada na conquista da terra gera uma demanda de informações que não são respondidas pelos professores. Além do mais, geralmente, os assentamentos são locais de difícil acesso e os professores são muito mal pagos o que gera mais problemas no trabalho. Também a postura do MST de intervir na pedagogia dos assentados, apresentando às crianças uma visão conjuntural da situação de seus pais e famílias e colocando a questão da terra como eixo principal na cartilha educacional acaba por se tornar um choque cultural e metodológico para os quais poucos são os professores convencionais que estão preparados para enfrentar de uma forma tranqüila e sem conflitos internos. Muitos professores simplesmente abandonam o posto nos assentamentos, assustados com a condução dos símbolos que o MST dá aos alunos.
O setor de educação está organizado no MST desde 1980 e foi progressivamente ampliando sua importância e área de atuação. As equipes de base são formadas por professores e pais que se articulam com coordenações regionais, estaduais e nacionais. O grande desafio do setor é elaborar continuamente a proposta geral de educação, incorporando os avanços da educação popular dentro e fora das escolas formais. O setor também viabiliza a construção das escolas, contratação dos professores e alternativas para a formação e titulação dos profissionais.
A conquista interna
No início dos acampamentos e assentamentos muitos achavam que a escola atrapalhava a luta pela conquista da terra mas admitiam que aprender a ler e escrever era necessário. Foi nesta brecha que os educadores começaram a discutir as funções da educação e perceberam que o problema era o tipo de escola que conheciam. Depois de vencida a resistência, os sem terra queriam uma escola diferente, coerente com o movimento que eles criaram no campo.
A escola deve ser prática e fornecer conhecimentos capazes de influenciar no trabalho e na organização da vida. Deve vincular teoria e prática, preparando para uma cidadania plena e um trabalho concreto ajudando a entender e transformar a realidade. A educação também deve ser um instrumento de continuidade da luta repassando às crianças as experiências acumuladas pelos pais e pelo movimento.
Na verdade, a escola é diferente porque parte de uma crítica ao modelo educacional tradicional e está inserida em uma organização coletiva original e pioneira na sociedade brasileira, organização que é rica em iniciativas individuais. Mas também trata-se de um ambicioso projeto de criar uma educação paralela que foge completamente do moldes tradicionais e que vem gradativamente apresentando seus resultados de forma surpreendente até mesmo para antigos inimigos e rivais em municípios de outrora torciam o nariz para as experiências educacionais dos assentados.
A Formação
Além do cenário muito próprio vivido nas comunidades ligadas ao MST, os professores das escolas de assentamentos também precisam manejar problemas típicos do processo de ensino-aprendizagem como a angústia da família com relação ao desempenho da criança, a insegurança profissional frente às dificuldades dos alunos e a própria herança que trazem da formação em escolas tradicionais.
Para enfrentar esta realidade e saltar da crítica à educação tradicional para a construção de uma alternativa, é preciso definir uma estratégia educativa coerente com os objetivos a serem cumpridos por uma escola de assentamento que deve, prioritariamente, dar respostas às questões próprias daqueles trabalhadores rurais. Entretanto, o movimento entende que ao estreitar a relação entre a escola e a comunidade está ajudando a estabelecer definições concretas que podem ser empregados na mudança da escola no Brasil.
Para o MST, é fundamental a capacitação técnica e política dos professores que serão os agentes das mudanças que devem atingir desde a organização da escola até o modo de ensinar. E o método é acumular na discussão de soluções a cada problema que surge e buscar formação teórica que ajude a entender o que vivem na prática do trabalho.
Com a criação do setor de educação em 1988, torna-se clara a necessidade de titulação dos professores com a conseqüente urgência na criação de um curso de magistério que prepare os professores dos assentamentos e garanta a titulação necessária. Há muitos casos em que os assentados ingressam em cursos de magistério regulares da rede pública. A opção não é a melhor saída porque, além destes cursos não atenderem às expectativas de uma formação diferenciada, muitos assentamentos estão em área de difícil acesso dificultando a freqüência às aulas.
Em 1989, os movimentos populares da região de Três Passos (RS), a Igreja e um grupo de educadores criaram a Fundep (Fundação de Desenvolvimento, Educação e Pesquisa da Região Celeiro) com o objetivo de atender às demandas por ensino formal e não formal da região. O MST se aproxima da Fundação através do Departamento de Educação Rural (DER) e propõe a criação de um curso supletivo de magistério para professores de assentamentos do Rio Grande do Sul que começou a funcionar já no primeiro semestre de 1990 no município de Braga, onde fica a sede do DER. O curso está organizado em co-gestão entre os alunos, professores, DER, setor de educação do MST e representantes dos órgãos municipais de educação da região.
Neste curso, os professores do MST colocam dois pontos no centro das atenções: os problemas específicos do processo de conhecimento a ser desenvolvido nas escolas e a capacidade organizativa do professor que além de saber ensinar deve saber viabilizar seu trabalho na comunidade. Aos poucos foi ficando claro para estes professores que o grande desafio passou a ser vincular a discussão metodológica da educação e da organização ao coletivo do assentamento, a começar pela questão da produção. As novas formas de trabalho e de propriedade da terra são o fundamento da experiência de vida dos assentados e, portanto, devem também ser a base de qualquer projeto pedagógico que pretenda ser-lhes orgânico.
Escola e Cooperação Agrícola
A base da escola alternativa para assentamentos é o vínculo entre ensino e trabalho e a relação entre escola e produção. Como atualmente a cooperação é tida como fundamental para a viabilidade dos assentamentos, o principal desafio da escola é a integração e a participação no trabalho cooperativo. Muitas escolas desenvolvem trabalho prático com crianças, programam aulas com pais sobre agricultura e pecuária e colocam em discussão nas atividades curriculares os problemas de produção dos assentamentos.
Uma das primeiras coisas que aparecem é o trabalho infantil: como integrar as crianças através de um processo educativo e não de exploração? As crianças não participam diretamente do trabalho dos adultos porque, além de inviável e pouco educativo, estariam sendo apenas ajudantes secundários. As crianças devem estudar na escola os valores e princípios do trabalho coletivo e aprender quais são os objetivos da cooperação agrícola dos assentados.
Esta constatação foi resultante de uma definição feita pelos educadores: a criação dentro das cooperativas dos assentados de um setor específico para cuidar da questão da educação. Ou seja, a integração do projeto educacional com o projeto produtivo deveria passar por instâncias das cooperativas que teriam no entanto total autonomia nas tomadas de decisões práticas na questão educacional. A partir daí, as diversas experiências localizadas e diferenciadas por regiões em assentamentos do MST permitiu a evolução de alguns parâmetros básicos que orientassem os educadores. Um dos mais importantes deles foi a escolha anual de pontos temáticos que pudessem ser trabalhados tanto pelos alunos para entender a relação de suas atividades escolares com o que acontece dentro do assentamento quanto para os professores que desprovidos de um cartilha básica de orientação passaram a poder trabalhar a si próprios dentro do tema escolhido. Mesmo no início quando a experiência do uso de diversos temas ao mesmo não surtiu o efeito desejado, ainda assim muitos professores perceberam que ali estava uma chave importante que abriria as portas para uma nova postura educacional. Em 1998 o tema simples “minhocário”, permitiu que muitos assentamentos do Rio Grande do Sul pudessem vivenciar experiências riquíssimas e colocar professores e alunos em condições de diálogo permanente de aprendizado.
As definições do II ENERA – Encontro Nacional de Educadores da Reforma Agrária vem orientando os setores de educação na direção de uma visão transformadora da sociedade que busca na verdade um revolução educacional de abrangência cultural e modificação de padrões da sociedade. O MST tem claro que não superará sozinho estes desafios. Tal como a luta pela reforma agrária como um todo, aponta que esta também é uma luta que não pode prescindir do apoio do conjunto da sociedade.
Alguns dados gerais sobre o trabalho de educação no MST
Desde 1987 quando constituiu um setor específico para tratar dos desafios ligados ao direito à educação dos sem terra o MST conseguiu se organizar em 15 estados do país, através de equipes de educação nas áreas e de coletivos regionais e estaduais – nos outros estados onde o MST possui uma organização menos estruturada existe pelo uma pessoa que responde pelas questões da educação e está iniciando a organização do setor. Em nível nacional as discussões e os encaminhamentos de ação são tiradas através de um coletivo nacional, constituído por representantes dos setores estaduais, que se reúne duas ou três vezes por ano, conforme as demandas.
Atualmente o setor de educação envolve um universo em torno de 850 escolas de 1ª a 4ª séries, 20 escolas de 5ª a 8ª séries, com a freqüência de 35 mil crianças e adolescentes. No entanto um número ainda grande está fora das escolas e precisa receber pelo menos algum tipo de atendimento pedagógico. São os 1.500 professores (as) que atuam nestas escolas e mais 300 monitores de alfabetização de jovens e adultos.
As principais frentes de trabalho do setor de educação hoje:
- escolas de 1ª a 4ª séries nos acampamentos (proposta específica) e nos assentamentos;
- escolas de 5ª a 8ª séries; nos assentamentos ou em regiões;
- educação de jovens e adultos (alfabetização e pós-alfabetização);
- educação infantil (0 a 6 anos).
Em torno destas frentes busca-se desenvolver os seguintes programas:
- Formação de educadores (as) através do curso Magistério de 2º grau, de atividades de formação contínua e, mais recentemente, foram iniciadas as articulações para o desenvolvimento de um curso superior na área de Pedagogia, em parceira com Universidades.
- Produção de materiais pedagógicos:
- São três coleções em andamento: os Boletins da Educação, os Cadernos de Educação e Fazendo História, a maioria delas produzidas a partir das atividades de formação de educadores (as).
- Movimento nacional “Toda criança na escola, aprendendo!” ações em cada local visando o acesso de todas as crianças e os adolescentes à escolarização básica e com vista de melhorar a qualidade da proposta pedagógica desenvolvida nestas escolas.
- Movimento nacional “Todo sem terra estudando!” estímulo à formação e à escolarização dos jovens e adultos dos acampamentos e assentamentos, buscando formas alternativas de acesso ao estudo e, recuperando a auto-estima de quem ficou marginalizado deste direito durante muito tempo e, por isso, muitas vezes se considera incapaz de aprender.
Na realização destes programas têm sido fundamentais as parcerias estabelecidas com Universidades, Entidades de Educação Popular e órgãos públicos.
Galeria de fotos:
Futebol de meninos e meninas na escola “Cidade dos meninos e meninas”, em Governador Valadares(MG)/1998
Foto: Carlos Carvalho
Escola em assentamento na Bahia – 1999 – Foto: Carlos Carvalho
Escola do Acampamento Oziel Alves Pereira - Município de Abelardo Luz(SC) – Foto: Carlos Carvalho/1997
Escola Paulo Freire, em acampamento na Paraiba – 1999 – Foto: Carlos Carvalho
A desinformação como objetivo, a incompetência como instrumento
Pode ser anti-Lula, pode ser anti-petista, pode até ser Serrista mas não pode ser incompetente. E nem tratar o jornalismo como mercadoria de quinta categoria tendo um jornal diário para imprimir tudo isso e publicar. A Folha de São Paulo de hoje, 11 de maio, é um primor de distorção da informação e incompetência jornalística. Chega a dar vergonha. No caderno de notícias, a contradição está logo no início entre o título da matéria “Ministra autorizou sobrinha cantora a captar R$ 1,9 mi”, numa sentença que induz o leitor a acreditar em um ato quase que pessoal e íntimo e familiar e o primeiro parágrafo da matéria, “O Ministério da Cultura autorizou a captação de R$ 1,9 milhão para a primeira turnê no Brasil da cantora Bebel Gilberto, sobrinha da titular da pasta, Ana de Holanda. A Folha sabe que a autorização de captação não é uma atribuição do titular da pasta da cultura, mas embarcou na onda de linchamento da ministra. Não estou aqui defendendo a ministra e sim o jornalismo, embora eu entenda que nas discussões sobre o novo ministério todos estamos perdendo, e não apenas a ministra. No parágrafo seguinte, “Na última sexta-feira, o ministério, que nega irregularidade, autorizou a captação dos recursos em empresas em troca de isenção fiscal. O projeto foi aprovado em março”, a setença atua como se fosse uma “suíte” – jargão jornalistico que recupera uma notícia anterior e apresenta novos fatos e versões – como se algo de errado existisse e já tivesse sido noticiado, ao evidenciar que o Ministério da Cultura nega irregularidade. É de vomitar. E no penúltimo parágrafo a matéria informa que o projeto foi apresentado ao ministério da cultura em dezembro do ano passado, ou seja, a ministra sequer era ministra.
Mas se o leitor seguir em frente na leitura da Folha e chegar no caderno Ilustrada, vai ver outro clima e outra versão sobre a ministra na coluna de Mônica Bergamo. Vai encontrar inclusive um apoio insuspeito do diretor de teatro Zé Celso Martinez Correia. O que a Folha conseguiu com isso? Nada. Só contribuiu para diminuir ainda mais o jornalismo diário dos veículos da chamada grande imprensa, à vista dos leitores. Seria bom que a Folha retomasse o jornalismo. Seria bom que os jornalistas que lá trabalham soubessem um mínimo de jornalismo. Se não sabem, vão aprender. Se sabem, demonstrem por favor. Respeito é bom, e nós jornalistas agradecemos.
O Novo Código Florestal e o tiro na reforma agrária
Foto: Carlos Carvalho – Colocação no Seringal N.Sa. Fátima/Brasiléia/Acre
Uma das grandes surpresas do governo Lula, logo no início, com uns seis meses de administração, foi Lula ter sucumbido ao agro-negócio e ter liberado os transgênicos. Lembro que na época o então Chefe da Casa Civil José Dirceu disse que a conjuntura de época mostrava que a força política pendia para o agro-negócio. Óbvio, quando não o foi? Na época fiz a interpretação de que Lula havia cedido ao capital e isso, com seis meses de governo, dava uma idéia do que poderia vir na sequência do seu governo. Passados dois mandatos, percebi que na verdade Lula não cedeu ao capital, mas sim passou a acreditar nos transgênicos, a achar necessária sua presença na agricultura brasileira, tanto quanto a produção familiar, guardando-se as proporções de tamanho e investimento de cada um. Foi essa crença nos transgênicos que criou as condições de paralisia da reforma agrária, embora os investimentos na agricultura familiar tenham aumentado na Era Lula. Pior, deixou os assentamentos na encruzilhada entre aderir ao pacote de transgênicos para manter as condições estruturais de muitas agro-indústrias criadas na força dos confrontos e ocupações da Era FHC, ou entrar no esquema de financiamento da agricultura familiar, desatando os compromissos políticos conquistados no assentamentos.
O Novo Código Florestal é o tiro definitivo na reforma agrária e a abertura inacreditável para a promiscuidade rural e territorial na agricultura brasileira. O deputado Aldo Rebelo não deixa nenhuma dúvida sobre sua posição completamente favorável ao latifúndio e ao agro-negócio. Pior do que o seu sinismo somente a sua arrogância de achar que está fazendo um favor aos ambientalistas “completamente sem força no congresso”, segundo suas próprias palavras, e ao brasileiros em geral, negociando prazos de anistia. Espero que a anistia não crie jurisprudência para que estupradores que ainda não foram penalizados pela lei se sintam livres. Resta saber se o que está no conteúdo do novo código é realmente o que pensa e deseja o governo atual e em especial a Presidenta Dilma. E não chegamos ainda no sexto mês.
Da necessidade de um lugar na história para FHC
Inconformados com a agonia pública da sua representação política partidária – o PSDB – intelectuais notoriamente anti-petistas se juntam agora à grande mídia, através de colunas pessoais na própria grande mídia, numa tentativa desesperada de salvar aquilo que na verdade nunca existiu, logo não pode ser salvo. Nesse domingo 8 de maio, que comemora o dia das mães, Caetano Veloso, em sua coluna no Globo e o poeta Ferreira Gular, em sua coluna na Folha de São Paulo, não coincidentemente dos mais furiosos veículos de comunicação que se dedicam a tentar desconstruir a Era Lula, resgatam seus lados maternais para tentar encontrar um lugar na história para o ex-presidente FHC.
O que chama atenção na coluna dos dois, é que eles lularam, no sentido de deixar a truculência de lado e tentar dialeticamente, um acordo com a sociedade, ou seja, nós mesmos, para que aceitemos a cantilena de que a Era Lula não existiria sem a Era FHC. Gular, o menos tropicalista dos neo-concretistas, chega a emocionar com sua candura explicando, como se nós tivéssemos quatro anos de idade, a lógica de que 2 + 2 são quatro. Chega a se perguntar, “não é bom que o governo Lula tenha dado certo?”, então, mas isso só aconteceu porque houve um FHC antes. Não sabia que o poeta achava que o governo Lula tinha dado certo. Baseado nas suas inúmeras colunas na Folha de São Paulo, todos nós, cerca de pouco mais de 100 milhões de pessoas, fomos enganados por oito anos e quem sabia mesmo do riscado era o FHC.
Já Caetano, o mais concretista dos tropicalistas, é mais cabeça, sabe das coisas, embora isso não signifique necessariamente ser de esquerda, progressista ou qualquer desses adjetivos que ligam uma pessoa a um projeto maior de compromisso social. Não é essa a praia de Caetano. Mas reclama da mesma forma, um lugar ao sol da história para FHC. Caetano acha que deixa amigos e parentes com raiva ao bater na tecla de FHC e Lula são um “continuum”. Só para os mais distraídos. FHC e o Plano Real se juntam a outras tentativas implantadas no Brasil para combater a inflação. E essa organização era condição para qualquer projeto a ser implantado no país, inclusive o da privatização em massa que FHC iniciou e só foi estacando pelo governo Lula. Não foi o Real que mudou o Brasil, foi a entrada de um governo com a visão de que o Estado tem sim de regular a intervenção do mercado(alguém duvida da intervenção do mercado?) e investir no social, em contraponto ao modelo liberal de FHC. E não é a política econômica que em Dilma, dá continuidade ao projeto iniciado na Era Lula e sim o mesmo compromisso com o social e a erradicação da miséria. Nunca antes neste país, houve uma sucessão, onde o presidente seguinte ou, a presidente seguinte, repetiu em seu discurso de posse o compromisso de erradicar a miséria e a pobreza do presidente anterior. FHC apenas tentou, e sequer teve capacidade para isso – ou vontade, pois os tucanos são no fundo muito preguiçosos -apresentar uma proposta de país organizado para servir a uma elite que precisava se modernizar, enquanto Lula trabalhou dois mandatos para arrumar a casa para um projeto de Estado – atuante nas questões sociais e subordinando a iniciativa privada aos interesses da sociadade. Conseguiu? óbvio que não, apenas esboçou. Mas somente o esboço já ganha contornos de obra sem volta. FHC e o PSDB foram a última tentativa, fracassada, de uma resposta inteligente vindo da direita explícita ou disfarçada. Essa mesma que FHC agora assume sem constrangimentos e ele que já pediu que esquecesse o que escreveu, agora pede que se esqueça a classe C, pois sinceramente nunca foi mesmo a praça deles.
Mas eu desconfio que no fundo, caetamente, Caetano esperou o dia das mães para dar a ela o trôco pelo pito público que tomou de Dona Canô, quando ele chamou Lula de ignorante. É uma licença poética e Caetano é poeta até quando questiona corretamente se o PSDB realmente merece credibilidade por empunhar a bandeira da Social Democracia. Nisso eu concordo com Caetano, a Pseudo Social Democracia Brasileira nunca existiu. Mas isso todos sabiam. O Rei sempre esteve nú.
Cultura para o RS crescer
Público lotou o auditório do Colégio Marista – Foto: Carlos Carvalho
Um auditório lotado, no Colégio Marista de Santa Maria, recebeu a conferência Cultura para o RS crescer, nos dias 29 e 30 de abril. Com mesas e palestras que debateram temas como Cidadania e Cultura – Cultura como direito social básico; Estética e valor simbólico – Conceito e Estrutura do Departamento Artístico Cultural; Economia da Cultura – Conceito e formas de financiamento, complementadas por palestras que mostraram as propostas para o Sistema Estadual de Cultura, o papel do Conselho Estadual de Cultura e a experiência nacional com os Colegiados Setoriais.
O Economista Leandro Valiati, na conferência Cultura para o RS crescer – Foto: Carlos Carvalho
O alto nível das palestras, foi uma recompensa aos que foram à conferência em busca da retomada do debate da cultura, paralisado nos últimos oito anos no RS. Dos momentos marcantes na conferência, destaco dois: em sua palestra sobre economia da cultura, o economista Leandro Valiati(UFRGS) enfatizou que a pauta do momento é auto-conhecimento, ou seja, mapear, pesquisar e desenhar quem somos nós, que são os atores e agentes culturais que movimentam a máquina de criar iniciativas culturais. E lançou para a platéia o conceito que economia é a ciência da escolha, da tomada de decisão e para isso o auto-conhecimento é fundamental. As novas tecnologias de pesquisa e geradoras de conhecimento estão aí, e é dever do gestor público buscar sua distribuição para a geração do bem-estar social.
Na palestra seguinte, o músico Leandro Ernesto Maia falou de estética e valor simbólico e provocou a platéia da conferência com o conceito do belo, “o belo como ideologia dominante”. Numa saraivada de idéias e sentimentos, disparados no ritmo gestual de sua apresentação, terminou sua fala, evocando a possibilidade do poder público ser o “Cupido do amor entre o artista e o público”, um amor que acabe com a mesmice contemporânea. “Queremos sair do papai e mamãe da cultura”.
Músico Leandro Ernesto – Foto: Carlos Carvalho
Apresentação do grupo de teatro “Sorriso com teatro” – Foto: Carlos Carvalho
Thomaz Farkas – Viva a fotografia!

Faleceu hoje, dia 25 de março, o fotógrafo Thomaz Farkas. A surpresa da notícia sempre nos pega de lado e obriga a sentar na cadeira e entender o que aconteceu. Sabemos todos que vamos sair dessa mas quando a passagem chega nos recusamos a acreditar. Farkas foi o homenageado da edição 2010 do FestFotoPoA e escolheu o dia de hoje e creio e me atrevo, até mesmo a hora para sair de cena, no momento em que as máquinas da Impresul começavam a rodar as primeiras páginas do livro do Felizardo, que será lançado na 5a edição do FestFotoPoA, que homenageia o Felizardo, no próximo dia 6 de abril. Foi difícil lidar com o antagonismo radical das duas notícias, uma atrás da outra, num final de tarde de exaustão e plenitude. O nascimento de uma obra de arte, manufaturada pelo Felizardo e o falecimento de um artista como o Farkas. Mas acho que foi pura gentileza, pura curtição, um sarro do Farkas. Seu último gol. Mas isso aqui na terrinha, porque lá onde chegou deve estar rolando um senhor vernissage para ele, que foi lindamente homenageado em 2010 pelo Instituto Moreira Sales.
Fico com a última imagem que tive do Farkas, no Parati em Foco 2009. Depois de ser aplaudido de pé pelo público, soltou seu bordão característico: Viva a fotografia!!
Uma Ode ao PT
Assembléia de metalúrgicos no Estádio De Vila Euclides
Foto: Carlos Carvalho
Sou de uma geração que teve o privilégio de começar na profissão de repórter fotográfico em um dos períodos mais ricos da nossa história contemporânea, com o nascimento do sindicalismo do ABC paulista, do PT e da CUT. A pauta política se impunha a todos os brasileiros e aprender a fazer fotojornalismo resultava na experiência das ruas e na edição nas redações. Desconheço quem tenha passado incólume por essa época. E a perspectiva de um novo partido aglutinando as forças sociais e populares que resistiam à ditadura e se desvinculasse de partidos conservadores era um alimento político e filosófico que temperava nossa experiência fotográfica. Como diria o Roberto Carlos, foram tantas emoções…..tanto para o bem quanto para o mal. E ainda tinha o Lula.
Passados 31 anos, misturamos hoje em nossos corações decepções e alegrias pelos caminhos trilhados pelo PT. Aprendemos da forma mais indejada, a ter que praticar pragmatismos. Temos que engolir Sarney, PMDB e outros ícones que é bom nem lembrar para não inchar esse texto. Mas confesso que hoje sinto uma alegria daquelas que temos quando sentimos o “cansaço gostoso”. Aquele cansaço que sentimos por algo que drenou nossas forças, mas o resultado é tão bom que chega a ser gostoso sentir o cansaço. Algo parecido com o trabalhador rural que de noite, depois do banho tomado, senta na soleira, enrola um fumo de rolo e fica olhando o resultado do trabalho do dia.
É verdade sim que muita coisa feia aconteceu. Mas vivemos hoje um tempo bonito de colheita. É que somos uns eternos insatisfeitos. E é aí que reside nossa melhor qualidade (nós os petistas). Não temos a preguiça do PSDB. Nós fazemos acontecer. E ainda temos o Lula. Sim, o Lula é nosso. É como o Pelé que só jogou no Santos e o Zico que só jogou no Flamengo. O Lula é nosso. E além de tudo, é “o cara”.
Sei que muitos vão malhar e me chamar de bobo alegre. Não estou nem aí. Hoje, me orgulho de ter há 31 anos atrás enfiado meu nariz nessa janela da história e de ter participado da construção desse partido que hoje é parte inalienável da história contemporânea do Brasil e da história da humanidade. Sim, o que fazemos hoje no Brasil influencia boa parte da humanidade. Somos hoje muito mais que Pelé e café (e só isso, já seria uma glória). Sim, queríamos fazer uma revolução no Brasil e quando nos damos conta, hoje, afastamos muitas fronteiras. E sinto uma felicidade imensa ao pensar que minha filha Nina de 4 anos é contemporânea desse Brasil, do Lula e da felicidade do pai dela. Conseguimos fazer isso. Criar um momento, onde as novas gerações inegavelmente podem exigir um padrão ainda maior que o nosso. E temos uma presidenta. Minha filha vai viver sua infância sabendo que a presidência é exercida por uma mulher, e como diz ela, “é a Dilma”.
Vou abrir uma cerveja bem gelada e curtir. 31 anos essa noite.
O Rio de Janeiro
A informação deveria ter como vocação básica, a utilidade pública. Quando ela se torna objeto de especulação e intermediação de interesses, a utilidade pública fica em segundo plano ou até sai da lista de procedimentos. Informação privilegiada, ou seja, repassada apenas a alguns traz em si o vírus do interesse. E perde sua utilidade e vocação se quem recebe essa informação nada faz ou não tem capacidade de transmiti-la e elevá-la ao patamar de utilidade pública. Informação privilegiada é crime.
Neste domingo 16 de janeiro de 2011, a manchete do jornal Folha de São Paulo é “Novo Código Florestal amplia risco de desastre”. A Folha sempre soube disso. Nós sempre soubemos disso. O código florestal está em discussão há tempos no Congresso Nacional. Vamos fazer um exercício de temporalidades. E se esta manchete da Folha tivesse sido publicada em 16 de janeiro de 2010? O que teria acontecido? Qual seria o seu significado? Significaria que a Folha teria decidido ser além de uma empresa de comunicação com interesses comerciais e discutir seriamente o impacto de nossas leis sobre o cotidiano da sociedade. Uma manchete que ocupa oito colunas(quatro na antiga diagramação) e ganha o status de principal, causa reações. Qual seria a consequência dessa manchete e os debates consequentes a ela? Talvez não evitasse o desastre da região serrana do Rio de Janeiro. Mas não seria a surpresa que hoje nos estupefata. O ano de 2010 foi de eleições e a Folha estava mais preocupada em eleger seu candidato José Serra, o mesmo que deixou de fazer o trabalho de infraestrutura que São Paulo necessita para receber a carga anual de águas destruidoras das chuvas. Agora a Folha de São Paulo descobre o óbvio, ou melhor, quer discutir o óbvio, quando deveria estar preocupada em agregar o valor da informação e prestar serviços de utilidade pública.
Na página 2 da mesma edição de domingo da Folha, a colunista Eliane Cantanhêde evidencia um artigo do Marcos Sá Correa, onde ele propõe como ação prática, a responsabilização de homens públicos, saindo da abstração da representação do Estado – segundo seu raciocínio, “é crime dar levianamente alvará de construção e “habite-se” para imóveis em encosta, fechar os olhos para casas em áreas de risco, desprezar alertas de tempestades e outras imtempéries”. O raciocínio está correto e é uma proposta prática que pode no mínimo, provocar o debate. Mas o título da coluna de Cantanhêde é “Desleixo assassino”. Seria somente por parte do governo e dos diretamente envolvidos na administração de uma cidade ou estado? Não foi um “desleixo” da Folha e claro, de toda a mídia, deixar a discussão sobre o Código Florestal fora de sua pauta principal? Não se antecipar ao debate de todas as áreas de risco, assim definidas pelos estudos que já existem? O que mudou de uma ano atrás de nossa hipotética manchete da Folha, para a manchete de agora? Os 633 (até a postagem desse texto) mortos contabilizados até agora na região serrana do Rio e que agora dão status de manchete a uma informação que sempre existiu e foi importante. Se a Folha de São Paulo também não se sentir responsável por estas mortes, se a mídia em geral e nós não nos sentirmos responsáveis por estas mortes, estamos então, sem trocadilho mórbido, chovendo no molhado.
Na mesma coluna de Cantanhêde, a colunista aponta para matéria feita no sábado, pelo repórter Evandro Spinelli. Mostra que há dois anos o governo do Rio encomendou e recebeu um estudo técnico que mostrava a possibilidade de um desatre de grandes proporções na região de Petrópolis, Teresópolis e Nova Friburgo. E logo a seguir, a colunista dispara sua ira contra o fato de o governo ter essa informação e não ter feito nada. E a Folha? Há dois anos existe essa informação. Ela é privilegiada? Não, fosse a Folha não teria acesso. Porque a Folha não teve interesse em saber o que poderia acontecer na bela região serrana do Rio? Onde estava a curiosidade aguçada de agora, há dois anos? Nas eleições talvez? Porque essa informação não foi repassada? Dois anos!
Para finalizar, o editorial da mesma edição de domingo, 16 de janeiro de 2001, ataca o mesmo assunto com a mesma atitude. Fala de dois estudos recentes (não os data). Baseado nesses estudos, o editorial diz que “o aumento de episódios de chuvas era previsível, diante do crescimento desordenado das cidades e da mudança climática provavelmente em curso no planeta. O prognóstico se reitera em dois estudos recentes produzidos no Brasil”. Onde está a manchete sobre esses estudos? Isso não é grave? Claro que sim e o desastre da serra fluninese comprova isso. Porque essa informação ganhou o editorial agora? É regra na grande mídia, usar o chavão que obras de infreestrutura e de prevenção não interessam aos governantes porque não dão voto. Temos visto que também não dão manchete porque não geram interesses comerciais. Até que mais de 600 pessoas morram sem a menor dignidade. Durante toda semana, os canais de TV perplexos pela dimensão do desatre, variavam entre a matéria sofrida e as análises de especialistas em tudo. E as matérias sempre finalizavam com o mesmo bordão das responsabilidaedes governamentais – que existem sem nenhuma dúvida – e a pergunta irritante sobre onde estaremos chorando nossos mortos ano que vem? São nossos? Então que tal darmos o exemplo e nos pautar para saber o que a comunidade científica já sabe e não consegue falar, expor, gritar. São somente os governantes que não querem ouvir? Quando ouvem não fazem nada? E a grande mídia, e nós? Quem sabe trocamos a edição técnica e comercial pela edição social e de interesse público?
Utilidade pública – Fiquei a semana toda angustiado com minha incapacidade enquanto jornalista de fazer algo de útil. Para o que serve mesmo ser jornalista independente nessa hora? Reproduzo então o link do blog Maria Fro, que encontrou uma forma de ajudar. Lá tem uma lista de ações a serem feitas e locais onde você pode levar sua ajuda. Clique aqui
Utilidade pública 2 – Já existem informações suficientes que apontam para sérios problemas nos trangênicos. E isso não é informação privilegiada. Vamos ver como vamos lidar com essa informação.
As mudanças estruturais em curso
Governador Tarso Genro dá posse a secretários e instala as comissões – Foto: Carlos Carvalho
Economistas e cientistas políticos, ancorados pela mídia, sempre que falam em reformas estruturais, tratam o tema como premissa para a modernização do Estado. Mas essa “modernização” na real é uma exigência de adapatação do Estado aos interesses do capital. E é sempre o mesmo tripé: reforma tributária, flexibilização das leis trabalhistas (ou sua extinção) e a regulação (ou melhor a sua desregulação) das agências de serviço (de longe, o maior terreno de investimento para o capital, agora sob novas tecnologias).Trata-se de criar as bases de uma capitulação do Estado.
O governo Lula operou no sentido contrário. Ampliou a participação do Estado na economia, não através de política econômica, mas sim de políticas sociais que subordinaram a pauta política e econômica, sem mexer em um centavo sequer do sistema financeiro. Da conexão direta que Lula tem com a base social mais pobre do Brasil, nasceu a integração com a faixa intermediária da sociedade organizada, base real da eleição de Lula. A Carta aos Brasileiros não seria suficiente para eleger Lula, mas foi fundamental para preparar o terreno para o que viria depois. As análises pós Lula da mídia, acostumada a apenas quantificar, viciada que está ao modelo corporativo, repetem números de ex-pobres e ex-miseráveis reabilitados pelo Bolsa família sem notarem que isso é apenas a ponta do iceberg construído pelo governo Lula. A esse respeito – as mudanças estruturais que estão sendo operadas no Brasil – é oportuno e fundamental ver a entrevista da filósofa Marilena Chauí na última edição da Caros amigos. Chauí inclusive coloca uma extensa lista de temas que devem nossa pauta (blogueiros e jornalistas independentes) para o aprofundamento do que se opera no social do Brasil e o contraponto massacrante a que vai ser submetido o governo de Dilma Roussef. E nada mais medíocre do que o nome cunhado – PAC da Miséria – para o avanço dos programas sociais.
Destaco aqui em especial um parágrafo da entrevista com Marilena Chauí, onde ela evidencia o importante conceito de REDE, na consolidação das políticas sociais e o impacto que está marcando em nossa sociedade.
…”Você pega os programas sociais e a tendência é um ver por um e considerar que eles são uma coisa meio dispersa. Eles formam um sistema institucional. Você tem o Bolsa Família que só funciona, porque você tem através do PAC, o Luz para Todos, o Minha casa Minha Vida, os quais só funcionam porque tem o PRONAF, a agricultura familiar, a qual só funciona porque que há um vínculo entre todas essas políticas e a economia solidária, isto é, a constituição da economia através das cooperativas, e, portanto, da recusa da propriedade privada do meio social de produção. É uma coisa gigantesca, é uma coisa gigantesca! Quando você vê cada programa social articulado no outro e o vínculo disso com o trabalho do Paul Singer, através do sistema de cooperativas, e, portanto, da propriedade coletiva dos meios sociais de produção.
No parágrafo seguinte Chauí fala de pesquisas que apontam a sacudida estrutural que o Bolsa Família fez na família brasileira, dando mais protagonismo às mulheres e a capacidade que tiveram de montar cooperativas a partir dos recursos do próprio Bolsa Família e da compreensão que tiveram da importância do FUNDEB e a ida da criança para a escola. E o FUNDEB através do PRONAF, criando o sistema nacional de merenda escolar.
Ao instalar, no último dia 7 de janeiro, as comissões que vão operar as tranversalidades dos projetos políticos e sociais do seu governo, o governador Tarso Genro fez questão de mostrar em seu discurso que a diminuição do Estado e a desvalorização da estrutura humana que executa as tarefas do Estado, embora utilizadas sob pretextos econômicos de economia e restauração das contas, escondia na verdade um projeto de subordinação do Estado aos interesses das corporações, de resto, uma premissa tucana (a “premissa tucana” é colaboração desse blogueiro sujo).
Que venha 2011…
Amigos e amigas
Depois de um tempo onde o tempo foi escasso, pretendo retomar meu posto de palpiteiro, fotógrafo e jornalista. Esse último anda meio polêmico aqui na terrinha. Pra que serve mesmo um jornalista? Pretendo colaborar de forma positiva e ver onde podemos chegar. De resto, nunca antes neste país as condições foram tão favoráveis, especialmente aqui no Sul. Vejo um monte de desafios para a blogosfera e uma horizonte muito bom para a fotografia brasileira. Aguardem…e isso é uma ameaça.
abraços em todos e feliz 2011
Leonardo Boff e o segundo turno
Leonardo Boff, na Carta Maior
O Brasil está ainda em construção. Somos inteiros mas não acabados. Nas bases e nas discussões políticas sempre se suscita a questão: que Brasil finalmente queremos?
É então que surgem os vários projetos políticos elaborados a partir de forças sociais com seus interesses econômicos e ideológicos com os quais pretendem moldar o Brasil.
Agora, no segundo turno das eleições presidenciais, tais projetos repontam com clareza. É importante o cidadão consciente dar-se conta do que está em jogo para além das palavras e promessas e se colocar criticamente a questão: qual dos projetos atende melhor às urgências das maiorias que sempre foram as “humilhadas e ofendidas” e consideradas “zeros econômicos” pelo pouco que produzem e consomem.
Essas maiorias conseguiram se organizar, criar sua consciência própria, elaborar o seu projeto de Brasil e digamos, sinceramente, chegaram a fazer de alguém de seu meio, Presidente do pais, Luiz Inácio Lula da Silva. Fou uma virada de magnitude histórica.
Há dois projetos em ação: um é o neoliberal ainda vigente no mundo e no Brasil apesar da derrota de suas principais teses na crise econômico-financeira de 2008. Esse nome visa dissimular aos olhos de todos, o caráter altamente depredador do processo de acumulação, concentrador de renda que tem como contrapartida o aumento vertiginoso das injustiças, da exclusão e da fome. Para facilitar a dominação do capital mundializado, procura-se enfraquecer o Estado, flexibilizar as legislações e privatizar os setores rentáveis dos bens públicos.
O Brasil sob o governo de Fernando Henrique Cardoso embarcou alegremente neste barco a ponto de no final de seu mandato quase afundar o Brasil. Para dar certo, ele postulou uma população menor do que aquela existente. Cresceu a multidão dos excluidos. Os pequenos ensaios de inclusão foram apenas ensaios para disfarçar as contradições inocultáveis.
Os portadores deste projeto são aqueles partidos ou coligações, encabeçados pelo PSDB que sempre estiveram no poder com seus fartos benesses. Este projeto prolonga a lógica do colonialismo, do neocolonialismo e do globocolonialismo pois sempre se atém aos ditames dos paises centrais.
José Serra, do PSDB, representa esse ideário. Por detrás dele estão o agrobusiness, o latifúndio tecnicamente moderno e ideologicamente retrógrado, parte da burguesia financeira e industrial. É o núcleo central do velho Brasil das elites que precisamos vencer pois elas sempre procuram abortar a chance de um Brasil moderno com uma democracia inclusiva.
O outro projeto é o da democracia social e popular do PT. Sua base social é o povo organizado e todos aqueles que pela vida afora se empenharam por um outro Brasil. Este projeto se constrói de baixo para cima e de dentro para fora. Que forjar uma nação autônoma, capaz de democratizar a cidadania, mobilizar a sociedade e o Estado para erradicar, a curto prazo, a fome e a pobreza, garantir um desenvolvimento social includente que diminua as desigualdades. Esse projeto quer um Brasil aberto ao diálogo com todos, visa a integração continental e pratica uma política externa autônoma, fundada no ganha-ganha e não na truculência do mais forte.
Ora, o governo Lula deu corpo a este projeto. Produziu uma inclusão social de mais de 30 milhões e uma diminuição do fosso entre ricos e pobres nunca assistido em nossa história. Representou em termos políticos uma revolução social de cunho popular pois deu novo rumo ao nosso destino. Essa virada deve ser mantida pois faz bem a todos, principalmente às grandes maiorias, pois lhes devolveu a dignidade negada.
Dilma Rousseff se propõe garantir e aprofundar a continuidade deste projeto que deu certo. Muito foi feito, mas muito falta ainda por fazer, pois a chaga social dura já há séculos e sangra.
É aquí que entra a missão de Marina Silva com seus cerca de vinte milhões de votos. Ela mostrou que há uma faceta significativa do eleitorado que quer enriquecer o projeto da democracia social e popular. Esta precisa assumir estrategicamente a questão da natureza, impedir sua devastação pelas monoculturas, ensaiar uma nova benevolência para com a Mãe Terra. Marina em sua campanha lançou esse programa. Seguramente se inclinará para o lado de onde veio, o PT, que ajudou a construir e agora a enriquecer. Cabe ao PT escutar esta voz que vem das ruas e com humildade saber abrir-se ao ambiental proposto por Marina Silva.
Sonhamos com uma democracia social, popular e ecológica que reconcilie ser humano e natureza para garantir um futuro comum feliz para nós e para a humanidade que nos olha cheia de esperança.
(*) Leonardo Boff é teólogo
Comitê de Resistência Já
Elmar Bones fez um histórico dos jornais independentes de Porto Alegre e resgatou a história do Coojornal, onde tudo começou, para mostrar a trajetória do Jornal Já.
Por Comitê de Resistência Já
Criado o movimento em apoio ao Jornal JÁ de Porto Alegre
Um público de 50 pessoas composto por jornalistas e representantes de entidades sindicais e da sociedade civil se reuniu na manhã de sábado (11 de setembro) em apoio ao Jornal JÁ de Porto Alegre, cuja saúde financeira está ameaçada por uma indenização de100 mil reais cobrada judicialmente pela família Rigotto.
Na mesma sala da Associação Riograndense de Imprensa (ARI) onde, em agosto de 1974 foi realizada a assembléia de fundação da CooJornal – iniciativa que entrou para a história do jornalismo e que foi um modelo de organização em plena ditadura militar – foi fundado o Movimento Resistência JÁ, cujo objetivo é impedir a extinção do veículo comunitário de 25 anos.
“A situação que vive o Jornal JÁ atualmente guarda muitas semelhanças com a forma que terminou a CooJornal. No mínimo, conta também com o amplo silêncio da mídia”, criticou o diretor da JÁ Editores e editor do JÁ, Elmar Bones.
O Jornal JÁ foi condenado pela Justiça a pagar uma indenização de 100 mil reais à viúva Julieta Vargas Rigotto, mãe do ex-governador do Rio Grande do Sul e atual candidato ao Senado pelo PMDB, Germano Rigotto. O motivo da ação é uma reportagem publicada em 2001 – vencedora do Prêmio ARI de Jornalismo daquele ano – que resgata documentos e aponta o envolvimento de Lindomar Rigotto, filho de Julieta e irmão do ex-governador gaúcho, em uma fraude que desviou cerca de 800 milhões de reais (em valores atualizados) da antiga CEEE.
“Germano Rigotto tenta se isentar dos problemas que nos causa essa ação. Mas a verdade é que sofremos um tremendo efeito político com essa condenação, pois é a família de um ex-governador que está processando um jornal. Não conseguimos anúncios, pois as grandes agências não querem se indispor”, revelou Bones.
Sentenças contraditórias marcam o processo
Elmar Bones chamou atenção para o fato de que a própria Justiça havia considerado improcedentes as acusações pretendidas pela família Rigotto em um processo análogo. Julieta Vargas Rigotto ajuizou duas ações, uma penal contra o jornalista e outra cível contra a editora responsável pelo jornal.
Apesar de o conteúdo de ambas ser idêntico, Elmar Bones foi absolvido porque, segundo a juíza Isabel de Borba Lucas, “não se afastou da linha narrativa e teve por finalidade o interesse público, não agindo com intenção de ofender a honra do falecido Lindomar Vargas Rigotto”. Entretanto, a editora foi condenada.
“Não acho justo pagar a indenização – ainda que na época tivéssemos dinheiro para isso. Mas trata-se de uma matéria correta, bem apurada e que teve como motivação o interesse público no assunto”, protesta o diretor do JÁ.
Em agosto a Justiça determinou a presença de um interventor na redação do JÁ para garantir o repasse de uma verba mensal à viúva. E mais recentemente, bloqueou as contas correntes dos dois sócios da editora – Elmar Bones e Kenny Braga.
Matéria apontou a maior fraude da história gaúcha
A matéria em questão parte do assassinato de Lindomar, em fevereiro de 1999, quando saía da boate Ibiza na praia de Atlântida, da qual era sócio, após contar a feria da última noite de Carnaval. Dois meses antes de ser assassinado, havia sido indiciado pela morte de uma garota de programa que caiu da janela de seu apartamento na rua Duque de Caxias, no centro de Porto Alegre.
O empresário da noite também estava com seus bens declarados indisponíveis pela Justiça por ser suspeito de desviar verbas públicas. Foi esse processo que o jornal JÁ resgatou na matéria, fruto de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) na Assembléia Legislativa e de uma investigação conduzida pelo Ministério Público.
Lindomar foi considerado o protagonista de um desvio de cerca de 800 milhões de reais da CEEE, através do direcionamento de uma licitação. Segundo o depoimento à CPI do secretário de Minas e Energia do governo Pedro Simom (PMDB) Alcides Saldanha o cargo que Lindomar ocupava na estatal de energia havia sido criado sob medida para ele, por pressão do então líder governista na Assembléia, Germano Rigotto.
O processo que derivou dessas investigações vai completar 15 anos em fevereiro, e está em segredo de Justiça, embora tenha sido gerado a partir de uma ação civil pública.
Movimento Resistência JÁ cria duas frentes de atuação
O movimento em apoio ao Jornal JÁ definiu duas frentes prioritárias de ação para os próximos dias. A primeira é ampliar ao máximo a divulgação dos fatos e a segunda, buscar recursos emergenciais para garantir a circulação da próxima edição do jornal.
Aqueles que tiverem interesse em integrar-se ao grupo ou que desejarem receber informações sobre o caso podem escrever para comite.resistenciaja@gmail.com.
Também é possível entrar em contato com a redação do Jornal JÁ a través do telefone 3330.7272.
Foto: Carlos Carvalho
Elmar narrou a trajetória do Jornal Já. Ao fundo foto do dia de fundação do jornal.
11 de setembro de 1973: aviões bombardeiam o La Moneda

Presidente do Chile Salvador Allende resiste ao golpe de Pinochet, dentro do La Moneda.
Em setembro de 1983 eu era um inexperiente repórter-fotográfico em início de carreira. No 11 de setembro seria o 10. aniversário do golpe militar liderado pelo Augusto Pinochet. Fiz as malas e fui por conta (sempre trabalhei como free-lancer) para Santiago, com a indicação de uma amiga de um amigo como lugar para ficar. Fiquei 15 dias em Santiago vivendo o dia a dia do povo chileno e a repressão dos carabineros. No dia do golpe, 11 de setembro, aconteceu a cena que todo ano eu via pela televisão. Passeatas de protesto e de resistência do povo chileno e a repressão brutal da força militar de Pinochet, representada pelos carabineros.
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O momento da ruptura inevitável
As eleições presidenciais de 2010 deixam dois impasses no ar. Assim como o PSDB, a través do grupo político de José Serra, rasgou o programa do partido e entrou de cabeça no subterrâneo do golpe e da mentira, a chamada grande imprensa, rasgou o básico do jornalismo para entrar de cabeça na mesma poça de lama. Esse debate não é novo. Desde o fim da década de 1980 e por toda a década de 1990, profissionais de imprensa, repórteres de texto e repórteres-fotográficos, ou seja, a chamada base proletária do jornalismo percebeu o espaço da verdade e da ética diminuindo. Nomes que hoje fazem parte da blogosfera como Luis Nassif, Luiz Carlos Azenha, Paulo Henrique Amorim se viram obrigados a buscar caminhos próprios como única opção para não aderir ao que deságua hoje na grande mídia. Outros nem tão conhecidos também se viram forçados a buscar caminhos diferentes para a sobrevivência. E essa, a sobrevivência, sempre foi a razão única para a maioria absoluta de profissionais que ainda estão nas redações lá permanecerem. Sobre jornalismo, isso não está mais em debate.
Agora me pergunto sobre a nova geração, principalmente de repórteres fotográficos, segmento ao qual eu pertenço, que decisão tomar? Jornalismo é uma cachaça, todos sabemos disso, mas jornalismo mesmo não vem sendo servido há muito tempo. O que levaria então hoje, um jovem jornalista (texto ou foto)a procurar uma Folha de São Paulo para trabalhar? Do ponto de vista dos leitores, acreditar no que está escrito em qualquer página da Folha equivale a exercer uma ingenuidade que iguala a quem acredita em uma só palavra de um Paulo Maluf. O filme se repete no Globo, Estadão, Veja.
Em nome de uma sobrevivência, será que os jornalistas estão mesmo condenados a trabalhar em campos de concentração da grande mídia? Sei que o debate não é fácil. De minha parte essa decisão aconteceu em 1992 e desde então durmo o sono dos justos, mesmo não tendo carro do ano, férias de 30 dias e cartão de crédito American Express. Mas os meus finais de semana e todos os horários livres são muito felizes ao lado da Nina, que aos 3 anos e meio faz com que meus 80 quilos fiquem bem leves. Será mesmo que o jornalismo, essa prática que não pertence a ninguém, nem à Folha, Veja, Globo e todos os etecétaras, vale a dignidade pessoal? Sei que não é fácil. Mas no meu tempo (sic…) não havia opções de informação. Era a grande mídia ou o gueto. Optei pelo movimento sindical e depois por um trabalho pessoal de fotografia documental.
Hoje existe a blogosfera e a necessidade urgente de repensarmos a função da informação e acreditar firmemente que a prática do jornalismo profissional, aquela em que você é pago para produzir uma técnica de informação, pode ser substituída pela informação como projeto pessoal de fazer parte de um projeto comunitário, seja qual for o tamanho da comunidade que você escolher para contribuir. Sobre a sobrevivência, bom, quanto a isso, não tenho respostas. Mas sei que é o mesmo problema de muitos brasileiros que não querem ser jornalistas.
A minha não vai depender de enganar, mentir, iludir e enlamear outros.
Leonardo Boff: Consolidar a ruptura histórica operada pelo PT
Leonardo Boff *, no Adital
Para mim o significado maior desta eleição é consolidar a ruptura que Lula e o PT instauraram na história política brasileira. Derrotaram as elites econômico-financeiras e seu braço ideológico, a grande imprensa comercial. Notoriamente, elas sempre mantiveram o povo à margem da cidadania, feito, na dura linguagem de nosso maior historiador mulato, Capistrano de Abreu, “capado e recapado, sangrado e ressangrado”. Elas estiveram montadas no poder por quase 500 anos. Organizaram o Estado de tal forma que seus privilégios ficassem sempre salvaguradados. Por isso, segundo dados do Banco Mundial, são aquelas que, proporcionalmente, mais acumulam no mundo e se contam, política e socialmente, entre as mais atrasadas e insensíveis. São vinte mil famílias que, mais ou menos, controlam 46% de toda a riqueza nacional, sendo que 1% delas possui 44% de todas as terras. Não admira que estejamos entre os países mais desiguais do mundo, o que equivale dizer, um dos mais injustos e perversos do planeta.
O Conhecimento como código aberto
Utilizando fios e máscaras, Chikaoka mostra o caminho percorrido pela luz e o fenômeno ótico da imagem de cabeça para baixo na câmera escura. Foto: Eduardo Seidl
Na sequência da repercussão da passagem do Miguel Chikaoka por Porto Alegre para ministrar no Quilombo do Sopapo, oficina vinculada ao FestFotoPoA 2010 ao final do curso, no bate-papo de avaliação, Chikaoka lançou o conceito de oficina com código aberto, ou seja, “eu vim aqui e deixei alguns fundamentos com vocês e uma proposta de relação com a luz. Agora espero que vocês reproduzam e me enviem de volta com as novidade locais. A idéia é ter um aprendizado em colaboração e a construção de um conhecimento com código aberto, ou seja, vocês melhoram o que eu apresentei e me devolvam para eu passar pra frente”.
Essa proposta do Chikaoka vem ao encontro do que eu particularmente acredito que está colocado hoje para todos nós que trabalhamos na socialização da informação e é a base do que fazemos dentro do FestFotoPoA e a pedra de fundação do Instituto Mesa de Luz, onde pretendemos trabalhar a fotografia na educação e na inclusão sócio-cultural.
Carta às elites brasileiras
É o papo do dia. Lula descarregou em Campo Grande (MS) durante um comício, a mágoa da discriminação de que foi vítima pelo Otávio Frias Filho, quando este nem sonhava que ia ter que engolir Lula por oito anos. O desabafo do Lula é uma verdadeira aula de soberania pessoal, e uma carta direta às elites deste país.
+ oficina do Chikaoka – final
“O pincel de luz” – Na franqueza que lhe é peculiar, a experiência do pincel de luz uniu metodologia e reciclagem, para aproveitamento do papel velado que seria jogado fora. “Nas minhas oficinas não existe papel jogado fora e papel velado, não é papel velado, é papel cheio de luz”, diz Chikaoka. Ao aproveitar o “papel velado” por algum descuido dentro do laboratório, Chikaoka percebeu que poderia desenhar no papel, mergulhando um pincel no revelador. Onde o pincel conduzisse o revelador ficaria escuro, formando o desenho que o aluno desejar. Depois era só fixar.
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O coração bate na ponta do seu dedo…Miguel Chikaoka e a luz..
Foto: Carlos Carvalho
O uso do pinh-hole em oficinas de fotografia tem se disseminado como gripe. Pessoalmente tenho uma pinimba com isso. Não com o pin-hole em si mas com seu uso de “espetáculo”. O lúdico é importante e faz parte do processo, mas somente o lúdico é estreitar o alcance da própria idéia de pin-hole. No FestFotoPoA, a cada edição recebemos muitas propostas de oficinas de pin-hole, tanto de grupos locais – Porto Alegre tem um enorme currículo de experiências com o pin-hole – quanto de fotógrafos de outros estados. Temos sempre adiado essa experiência, aguardando a oportunidade de ter entre nós a oficina do Miguel Chikaoka. Mas não se trata da “oficina do Miguel Chikaoka”. Trata-se de 20 anos de estudos, experiências, frustações, crises e acima de tudo, uma dança com a luz. realizadfos pelo Chikaoka. Costumo brincar nas oficinas que eu mesmo ministro, dizendo para os que são ateus, que quando aconteceu o Big bang, rolou a primeira foto. Aliás esse é um bom debate, quando se fez a primeira foto? qual a data, o momento, o átmio? Na sequência da brincadeira, conclamo aos que são cristão a entender que quando Deus disse “Faça-se a luz!”, rolou a primeira foto. Será que essa foi a primeira foto?
Mas isso tudo é divagação em cima daquilo que nos interessa no trabalho do Chikaoka. Tirar de cena a imagem e colocar a luz como referência principal e única. De tudo. É ela que reflete seu sorriso, sua mágoa, sua raiva, seu tesão, seu aplauso, sua vaia, s ua contemplação. É ela…é a cara….
E Chikaoka nos leva nessa viagem. Em um determinado momento da oficina, ao lidar com a técnica fotográfica, avisou aos alunos que ao colocar a pequena câmera, feita de caixinha de filme, presa num tripé de madeira, que ao abrir o orifício, deveria deixar a câmera solta, pois “o coração bate na ponta do seu dedo e vai fazer a pequena câmera tremer”. Veja a oficina FestFotoPoA 2010 feita por Chikaoka no Ponto de Cultura Quilombo do Sopapo, no Bairro Cristal, em Porto Alegre, em nosso trabalho de descentralização do ensino da fotografia.
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A grande revelação do “dossiê Dilma” na Época
Passa quase despercebido, tanto que nenhum veículo de comunicação repercutiu. Está lá no meio, perdido entre parágrafos, vígulas e tentativas de recuperar um período. Mas está lá. Ao convocar algumas companheiras de cela que dividiram com Dilma a resistência à ditadura, a revista Época recupera também uma discussão que foi motivo de rachas entre os militantes de época (sem trocadilhos). Torcer ou não pelo Brasil na copa de 70. E uma das companheiras de Dilma entrega: Dilma vibrava com os gols do Brasil e entendia de futebol!! Fico aqui imaginando se Dilma e Lula ficavam até altas horas da madrugada discutindo mesmo o PAC ou se já não estavam tramando a volta do Ronaldo. Tenho razões para acreditar que numa administração Dilma o Ronaldo não tem chances. Mas recuso a abrir minha fonte e invoco meu direito de preservá-la.
Mas pensem bem, além de dar continuidade ao governo do presidente mais querido e admirado da história do país, Dilma ainda entende de futebol!!
Ou seja, tira de letra acusações idiotas e ainda encaminha o assunto para dar goleada, como aliás vem acontecendo nesta eleição. Mas não foi só isso que suas companheiras entregaram. No aude do bode, Dilma botava um tango e deitava para meditar…
coitado do Serra…..
Outra grande revelação da Época é a presença iluminada da fotógrafa paulista Nair Benedito no mesmo porão de Dilma. Quem conhece sua história pessoal e profissional, sabe o significado de Nair para a fotografia brasileira contemporânea, a documentação de excluídos, da realidade da mulher brasileira e seu papel fundamental na criação e manutenção da Agência F4, ao lado de Juca Martins, agência praticamente nascida no calor do sindicalismo do ABC, liderado por ….Luis Inácio Lula da Silva.
Uma noite de tietagem com Koudelka
Foto de Roberto Linskier
Voltei de Buenos Aires onde estive fazendo leituras de portfólio e assistindo algumas aberturas de exposições. Em uma delas tive o prazer de conhecer Josef Koudelka, aquele que nos legou as imagens da Primavera de Praga. Bem humorado, falante, trocando de línguas dependendo do interlocutor e misturando todas elas, Koudelka não mostrou frescura embora seja dono de uma obra que lhe permitisse isso. Dá vontade conversar a noite toda com ele. E a exposição com suas fotos da invasão de Praga nos remete ao dia da invasão. Maravilhoso. Noite inesquecível. Fotojornalismo puro.
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Aqui tem gente
Texto e fotos de Carlos Carvalho
“Ao analisar uma coisa tão simples como uma etiqueta colada numa banana, pude observar que o que consumimos é, na verdade, uma ausência – a ausência do trabalho, a ausência das relações estabelecidas entre os sujeitos consumidores e produtores; a ausência do ambiente no qual as mercadorias são produzidas, etc.. Consumimos ausências adoráveis; e é isso que faz nossas sociedades de consumo tão irresistíveis e tão convidativas: ninguém precisa refletir a respeito das realidades da produção capitalista”.
Susan Willis, norte-americana – pensadora e crítica marxisista.
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Kujãns
Xamãs Kaigangs se encontram em Porto Alegre.
Há dois anos um grupo de índios Kaigangs ocupam uma área do Morro do Osso, zona sul de Porto Alegre.
Embora a prefeitura se utilize da narrativa histórica que dá conta da existência de grupos indígenas em toda aquela região para divulgar os atrativos do Morro do Osso e da exuberância da Mata Atlântica como atrativo para turistas, é com o Estado que os Kaigangs estão lutando para permancer no local.
Durante três dias, Kujãns homens e mulheres (xamãs) vindos de todo o estado e mais Paraná e Santa Catarina se reuniram no alto do Morro para rituais de proteção do grupo, purificação das águas das nascentes e para benzer os brancos convidados para o Encontro.
Por três dias, palestras, debates e estratégias para manter a oralidade que permite a manutenção da herança cultural dos mais velhos para os mais novos, circularam pelas matas do Morro do Osso. Uma espiritualidade diferente e sincrética ao mesmo tempo. Uma experiência de cultura. E Porto Alegre circulando freneticamente em volta do morro.



















